Candidato da oposição vence eleição para diretor do Direito do Mackenzie

Alunos dizem que José Francisco Siqueira Neto é alinhado à reitoria e contestam regras da votação

Carlos Lordelo e Thiago Mattos, Especial para o Estadão.edu,

06 Dezembro 2012 | 22h56

Visto por parte dos alunos como "candidato da reitoria", o professor José Francisco Siqueira Neto venceu a eleição para a direção da Faculdade de Direito do Mackenzie realizada na noite desta quinta-feira, 6.

 

Siqueira Neto recebeu 39 votos dos quase 100 membros da Congregação da unidade. O segundo e o terceiro colocados no pleito tiveram, juntos, 38 votos. Outros três docentes também concorriam ao cargo.

 

Uma lista com os três mais votados será apresentada ao Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, mantenedor da universidade e responsável pela nomeação dos novos diretores.

 

A eleição ocorreu em clima de protesto. O Centro Acadêmico João Mendes Jr. convocou uma manifestação no câmpus de Higienópolis, região central de São Paulo, para questionar a "interferência do reitor" na votação. Segundo o CA, as regras para a escolha do diretor ferem o estatuto da faculdade e privilegiam Siqueira Neto, que hoje é vice-diretor da unidade.

 

Para concorrer ao cargo era necessário ter título de mestrado ou doutorado e ser professor adjunto ou titular do Mackenzie. Mas uma mudança nas regras, anunciada há um mês, trouxe novas exigências. O candidato também deveria ter pelo menos cinco anos de experiência em gestão administrativa escolar, participar das atividades acadêmicas em período integral e não exercer carreira pública.

 

Segundo o CA, o edital impedia que qualquer um pudesse se candidatar, o que acabaria privilegiando Siqueira Neto - ele era o único candidato que não tinha apoio do atual diretor da faculdade.

 

Para Siqueira Neto, a votação foi um reconhecimento de seu trabalho como coordenador da pós-graduação em Direito do Mackenzie. "Mostra aprovação pelo que fiz na pós e as possibilidades que a gente tem agora de fortalecer a graduação", disse ao Estadão.edu. Para o professor, os alunos que se opuseram à sua candidatura fizeram uma "resistência boba, com visão equivocada". "Mas isso faz parte do processo democrático. Agora é trabalhar na perspectiva de que foi só uma eleição e de que temos muito trabalho pela frente."

 

Ele defendeu-se da acusação de ser "candidato da reitoria". "Sou candidato dos professores. Eles é que votaram na eleição", afirmou Siqueira Neto.

 

Em nota, o CA disse que, apesar de discordar do edital, parabeniza a formação da lista tríplice. Reafirmou ainda o posicionamento de que o primeiro colocado deve ser escolhido pelo instituto.

 

"O CA espera que toda essa movimentação política ímpar que se formou durante o processo eleitoral tenha como consequência a ampliação do colégio eleitoral, possibilitando que estudantes, funcionários e professores tenham direito a voto, mesmo que proporcional", continua o texto. Logo em seguida, os alunos dizem que "nunca duvidaram" da "total competência" de todos os candidatos.

 

Mais cedo, a reitoria do Mackenzie disse em nota que as mudanças no edital estabeleceram "critérios mais rigorosos nos âmbitos do ensino, da pesquisa e da extensão, tripé que sustenta as atividades da instituição". As alterações valem agora para a candidatura de docentes ao cargo de diretor de todas as unidades.

 

"Os critérios diferem dos até então utilizados, pela maior explicitação de compromisso, dedicação e perfil acadêmico, com formação na área de atuação da unidade e experiência acadêmico-administrativa", afirma o texto da reitoria. Segundo o Mackenzie, três processos eleitorais passaram por mudança este ano, mas só na Faculdade de Direito houve contestação.

 

* Atualizada à 0h25 do dia 7/12

Mais conteúdo sobre:
Direito Mackenzie Ensino superior

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.