Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Caminho que liga câmpus e favela

História de sucesso motiva projeto solidário

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Para realizar o sonho de se formar em uma universidade, o estudante Lucas Gandolfi, de 25 anos, e sua família saíram de uma casa em Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, para viver em uma favela da capital, a Canta Galo, na região de Pirituba, na zona norte. Seus pais, uma empregada doméstica e um marceneiro, já trabalhavam na cidade e decidiram que a mudança poderia garantir um futuro melhor para os filhos - a irmã de Gandolfi havia sido aprovada na instituição um ano antes.

Hoje cursando o 4.º ano de Medicina, Gandolfi prestou seis vezes o vestibular - estudou por quatro anos no cursinho da Poli - até ser aprovado. "Por mais que houvesse algum tipo de bonificação para quem vem da escola pública, a defasagem era muito grande", diz.

Por causa da baixa renda de sua família, o estudante poderia pedir uma vaga na moradia estudantil da Faculdade de Medicina da USP (Fmusp), mas preferiu levar os R$ 400 do auxílio oferecido pela universidade para ajudar em casa. Como o curso é em tempo integral, ele não consegue trabalhar. "Viemos para cá em uma condição muito deficitária."

Foi com base nessa experiência de vida que o estudante criou, com ajuda de outros colegas de realidade semelhante, o projeto Semeando Educação, que oferece palestras em escolas públicas para mostrar as possibilidades e oportunidades de se cursar uma universidade gratuita. "Existem muitas pessoas que nem sequer conhecem o vestibular e as oportunidades que uma faculdade pode oferecer", diz Gandolfi.

Quando fazem a peregrinação por escolas, os alunos contam como funciona a vida universitária, dão dicas de como passar no vestibular e apontam possibilidades para estimular quem ainda está no ensino médio. "Uma pessoa da periferia pode se destacar em uma área que ela gosta, adquirir técnica e depois voltar para a comunidade de onde veio para praticar esse conhecimento. Ninguém melhor do que ela para saber os problemas reais dessa comunidade", diz o estudante. O grupo também mantém uma página no Facebook e um blog sobre vestibular.

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