Brasil também tem opções de MBA para empreendedores

Maioria dos cursos brasileiros tem perfil mais tradicional, mas várias escolas já incluíram o empreendedorismo em seus programas

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2014 | 16h00

Quem deseja usar um Master Business Administration (MBA) para montar ou alavancar o próprio negócio não precisa sair do País. 

A maioria dos cursos brasileiros tem perfil mais tradicional, voltado para o mercado corporativo, mas várias escolas já incluíram o empreendedorismo em seus programas. 

Sílvio Laban, coordenador dos programas de MBAs no Insper, afirma que o interesse pelo assunto tem crescido. A escola também tem um centro de empreendedorismo. Os alunos, porém, ainda estão concentrados nas carreiras em grandes empresas, que em muitos casos são as responsáveis por bancar o master. “Não são maioria, mas temos alguns empreendedores nas turmas, entre 5% e 15%”, estima.

Quando ingressou no MBA do Insper em 2010, Antonio Pinto não fazia parte dessa estatística. Mas, pouco depois de terminar o curso, ele abandonou o cargo em uma companhia de logística e partiu para o próprio negócio, de apoio administrativo a eventos. “A maioria dos meus colegas trabalhava em grandes empresas, mas havia anseio de ter um negócio próprio”, aponta. 

De acordo com Pinto, os estudos de caso e as palestras no master amadureceram a ideia de seguir esse rumo. “A teoria e a vivência prática do curso dão boa base para o empreendedor tomar decisões, avaliar critérios etc”, explica.

Diferentemente dos MBAs nos Estados Unidos, que exigem dedicação integral, a maioria dos cursos locais tem aulas apenas à noite ou aos fins de semana. Mesmo com a carga horária menor, conciliar os estudos e a condução de um negócio próprio é um forte empecilho para os interessados nos MBAs.

Essa dificuldade não desencorajou Luiz Eduardo Saraiva, de 57 anos. Sócio de uma empresa que presta serviços na área de eletrônica há 25 anos, ele resolveu encarar o MBA em Gestão Empresarial da Fundação Instituto de Administração (FIA) em 2009. “Como o mercado é competitivo, decidi que deveria me atualizar”, diz. “Mas senti que o curso demandava muito e saí após um semestre”, conta. 

Neste ano, Saraiva retomou o desafio. Mesmo com o tempo livre escasso, agora ele pretende ficar até o final. Na turma, com cerca de 25 alunos, só dois têm negócio próprio. “O curso ainda é bastante corporativo, mas percebi mudança de perfil desde 2009”, constata. “Há abertura maior para o empreendedorismo”, diz.

Alternativas. Parte dos consultores de carreira acredita que, para empreendedores, MBAs são muito caros e demorados. As alternativas para aperfeiçoamento profissional, segundo eles, são cursos rápidos e congressos nas áreas de interesse.

Ricardo Cintra, coordenador acadêmico dos MBAs na Escola Trevisan, defende que todos os cursos estimulem a visão empreendedora, útil para os donos dos negócios e os executivos. “O empreendedorismo não é um conjunto de conhecimentos, mas de atitudes”, define. “É uma postura perante os problemas.” 

Dicas: 

1. Networking. No MBA, é possível formar uma rede de contatos qualificada, com colegas, professores e palestrantes do curso. Quem deseja montar o próprio negócio já pode atrair parceiros e investidores.

2. Recursos. Antes de se arriscar no próprio negócio é importante avaliar a disponibilidade financeira. Quem acabou de fazer um MBA, por exemplo, costuma ter menos verba financeira.

3. Perfil. Antes de ingressar em um MBA, o candidato deve se informar sobre o perfil da instituição. A ideia é saber se o curso escolhido se encaixa com seus interesses e com seu negócio atual ou futuro.

4. Prática. Aproveite a experiência em simulações de negócios e projetos práticos feitos durante as aulas do MBA – um deles pode ser o processo inicial para uma empresa no futuro.

5. Flexibilidade. A visão empreendedora ajuda quem deseja montar o próprio negócio, mas também é bastante valorizada nos processos seletivos de empresas convencionais.

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