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Brasil é um dos últimos em teste que avalia capacidade de resolver problemas

Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

01 Abril 2014 | 09h 50

País amarga 38.º entre 44 países, de acordo com levantamento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)

Atualizado às 22h47

O Brasil decepcionou mais uma vez no Pisa, avaliação internacional que mede diferentes competências de jovens nas salas de aula. Em um ranking de 44 países, o País ficou em 38.º lugar, segundo relatório divulgado ontem pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Pisa - tradicionalmente voltado para as áreas de Leitura, Matemática e Ciências - buscou avaliar as habilidades dos estudantes para resolver em computadores problemas de lógica e de raciocínio, em que os métodos de solução não são óbvios. Os testes, feitos com 85 mil alunos de 15 anos em 2012 por todo o mundo, traziam questões ligadas à vida prática, como comprar bilhetes em uma máquina, operar um MP3 player e encontrar a menor distância entre dois pontos.

Para a OCDE, a importância de medir as habilidades deve-se à crescente demanda do mercado por profissionais criativos. Em 2003, o Pisa já havia medido competências para resolver problemas complexos. A comparação dos dados, porém, é difícil, por causa da diferença entre as questões feitas com lápis e papel e os testes pelo computador.

O resultado do Brasil, de 428 pontos, ficou abaixo da média da OCDE, de 500. No topo do ranking ficaram países asiáticos como Cingapura, Coreia do Sul e Japão. De seis níveis de dificuldade nas perguntas, só um a cada dez brasileiros conseguiu atingir o nível quatro. Do total de alunos do País, 47,3% tiveram desempenho pífio - entre os níveis um e dois. Na média, porém, o Brasil apresentou desempenho melhor na solução de problemas do que países com resultados similares em Ciências, Matemática e Leitura.

Entre as habilidades tradicionais, a desenvoltura em Matemática é a que mais pesa nos testes de solução de problemas. A OCDE também apontou que o currículo das escolas e a formação dos professores são essenciais para desenvolver as competências. "Não é um tipo novo de questão, mas os professores ainda têm dificuldades em usá-lo", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP, Ocimar Alavarse. "Isso ocorre porque eles também não aprenderam dessa maneira." Segundo o especialista, o aluno brasileiro está, na média, dois anos atrasado em relação ao nível de ensino esperado para sua faixa etária.

Distorções. O Pisa ainda conseguiu captar desigualdades regionais. Enquanto o Sudeste do Brasil teve 447 pontos, o Norte teve o pior índice, com 383 pontos, atrás no ranking global apenas de algumas regiões dos Emirados Árabes Unidos. Nenhuma região do País ficou acima da média da OCDE. Se fossem incluídos os resultados das escolas rurais brasileiras, a nota do Brasil cairia três pontos.

Também foi registrada diferença entre gêneros: a performance dos adolescentes brasileiros foi 22 pontos superior à das alunas. A média de desnível da OCDE entre homens e mulheres foi de sete pontos.

Em dezembro, o Pisa também colocou o Brasil entre os piores do mundo em educação. Entre 65 nações, o País ficou em 58.º em Matemática, 55.º em Leitura e em 59.º em Ciências.

O Pisa é aplicado a cada três anos para alunos entre 15 e 16 anos em países da OCDE, considerados de primeiro mundo, e de convidados, como o Brasil. A cada edição do exame, uma área é enfatizada - Matemática foi o foco em 2012./ COLABOROU MARINA AZAREDO

 

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