Cristiane Bonfim/AE
Cristiane Bonfim/AE

Bandidos fazem arrastão em prédio de universitários estrangeiros da FGV

Quinze homens mantiveram 13 alunos reféns por 4 horas na região central de SP

Cristiane Bomfim e Camilla Haddad, de O Estado de S. Paulo,

23 Abril 2012 | 21h06

SÃO PAULO - Estudantes estrangeiros que fazem intercâmbio no Brasil foram alvo de bandidos na noite deste domingo, 22, durante arrastão em um prédio na Avenida 9 de Julho, região central. Por cerca de 4 horas, 19 pessoas - incluindo cinco brasileiros - foram mantidas amarradas e encapuzadas em um quarto no 10.º andar, enquanto criminosos roubavam objetos de valor. Ninguém foi preso. Este foi o 16.º arrastão a condomínio registrado na capital desde janeiro, o equivalente a um caso por semana.

 

Os estudantes estão matriculados no curso de Administração da Fundação Getulio Vargas (FGV), que fica a poucos metros do edifício. Por volta das 22h30 de domingo, o porteiro Luiz Fernandes, de 70 anos, foi rendido por 15 assaltantes que aproveitaram a chegada de dois moradores para entrar. Alguns estavam armados, todos tinham o rosto coberto. Cinco bandidos permaneceram no hall, rendendo moradores que chegavam. Outra parte do bando subiu para os apartamentos que ficam entre o 10.º e o 14.º andar, onde a maioria dos estrangeiros mora.

 

As vítimas são de várias nacionalidades. Quatro eram da Holanda, três da Alemanha, três da França, um da Suíça, um da Colômbia, um da Itália e um da Polônia. Segundo o Departamento de Investigações sobe Crime Organizado (Deic), entre os reféns estava uma professora holandesa que está hospedada em um hotel, mas visitava os dois filhos, de 24 e 22 anos.

 

A cuidadora de idosos Gidalva Gracelina de Santana, de 37, foi surpreendida ao chegar do trabalho, por volta das 23h. “Quando entrei no prédio, três homens me renderam e me jogaram no elevador, onde outro aguardava. Eles tiraram R$ 250 da minha bolsa e meus dois celulares”, conta. Moradora do 4.º andar, ela diz que explicou para os criminosos que não tinha nada de valor e foi levada para um apartamento no 10.º, onde outras 18 pessoas já eram mantidas reféns.

 

“Estavam todos amarrados com fio de telefone, gravata e o que tivesse por perto”, conta. Um intercambista polonês levou uma coronhada na testa. Testemunhas disseram que a agressão ocorreu por ele não ter entendido a ordem de um bandido.

 

Outra moradora, Maria de Fátima Nazaré, de 42 anos, disse acreditar que os assaltantes já sabiam quais eram os apartamentos ocupados por estrangeiros. “Nem tentaram entrar na minha casa, que é um dos poucos apartamentos não usados como república. Só soube que havia acontecido um arrastão quando a polícia bateu na minha porta”, disse. “Os estudantes estão apavorados, querendo ir embora. Até eu fico preocupada, porque não sei se o dono vai querer que a gente saia por falta de segurança.”

 

Segurança

 

O edifício de 14 andares não tem câmeras nem vigilantes. Há pelo menos três anos, virou república de estudantes estrangeiros. Segundo a polícia, ladrões levaram o equivalente a R$ 15 mil em diferentes moedas, além de 13 notebooks, 12 câmeras, óculos, roupas e celulares.

 

Na fuga, usaram dois carros das vítimas: um Toyota Fielder e um Toyota Corolla. Após o crime, o dono de um dos carros acabou preso ao prestar queixa do roubo do veículo. João Malatesta Neto, de 69 anos, tinha dois mandados de prisão por não pagar pensão alimentícia: um de 1999 em Goiás e outro em São Paulo, de fevereiro de 2011.

 

Série

 

Segundo o Deic, desde janeiro nove casos foram registrados na delegacia especializada em roubos a condomínios. Mas balanço da reportagem mostra que, nos primeiros quatro meses deste ano, 16 arrastões foram apresentados nas delegacias. Em todo o ano passado, foram 13. / COLABOROU BRUNO RIBEIRO

Mais conteúdo sobre:
FGV Arrastão crime intercâmbio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.