Victor Ruiz Caballero/Reuters-11/7/2011
Victor Ruiz Caballero/Reuters-11/7/2011

Avaliação acirra competição no Chile

Na busca por boas notas, colégios cortam aulas de artes e idiomas e abrem mão de alunos com média baixa

João Paulo Charleaux, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2011 | 04h24

SANTIAGO - O Sistema de Medição da Qualidade da Educação (Simce), usado para avaliar o ensino em nível nacional no Chile, é um exemplo do extremo do que pode levar a competição entre as escolas.

Para preparar seus alunos para o Simce, muitos colégios preferem simplesmente reduzir a carga horária de disciplinas consideradas menos importantes só porque elas não são avaliadas no exame. Artes, educação física, religião, música e até mesmo o ensino de idiomas, em alguns casos, ficam em segundo plano no segundo semestre. Tudo para que os alunos possam se dedicar de forma concentrada ao conteúdo avaliado pelo Simce e por outra avaliação anual, a Prova de Seleção Universitária (PSU), equivalente ao vestibular brasileiro.

O exemplo mais extremo dessa lógica ocorreu em novembro, quando o então ministro da Educação, Joaquín Lavín, defendeu a diminuição da carga de ensino de história para que os alunos pudessem estudar mais matemática e linguagem, as duas principais disciplinas avaliadas pelo Simce.

O anúncio despertou críticas. “Temos de nos perguntar: para que estamos formando nossos jovens? Para o trabalho ou para a vida? O único intuito dessas medidas é o de compreender os cálculos matemáticos para o trabalho e ponto. Esta é a ideia que se tem de educação”, disse o presidente do Sindicato dos Professores, Jaime Gajardo.

“Esses instrumentos apenas põem no papel o que todos já sabem: que os colégios privados de bairros ricos são muito superiores aos colégios públicos de bairros pobres. A questão é como ir além disso, como medir os alunos e as escolas em relação a si mesmos”, disse ao Estado o diretor do programa de pós-graduação da Universidade Metropolitana de Ciências da Educação do Chile, Rolando Pinto.

Além de alterar o currículo na busca por melhores pontuações, algumas escolas também adiantam o início da alfabetização de seus alunos com a intenção de conseguir melhor desempenho no exame nacional de aprendizagem.

Outra crítica recorrente ao modelo chileno é a de que ele é incapaz de diagnosticar problemas de aprendizagem ou apontar soluções pedagógicas mais estruturadas. O Simce divulga os resultados anuais por colégio, o que provoca uma grande competitividade, sobretudo entre as escolas privadas - algumas delas acusadas de recomendar que os alunos que puxam a média para baixo não renovem suas matrículas.

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