Autor do manual polêmico de calouros no PR critica 'ditadura do politicamente correto'

Livreto ensina calouros a resolver problemas sentimentais e é acusado de incitar violência sexual

Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu,

29 Março 2012 | 17h42

O “Manual de sobrevivência do calouro federal”, distribuído por um grupo de alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), está causando polêmica entre os estudantes da instituição. Além das tradicionais dicas de onde comer, quais bares frequentar e o que algumas siglas da faculdade querem dizer, o livreto descreve maneiras para acabar com os problemas “sentimentais” dos estudantes.

 

Segundo o manual, que usa a legislação brasileira para justificar os conselhos, caso a mulher prometa algo e não cumpra, cabe ao aluno usar o artigo 252 do Código Civil: “não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.” O texto publicado complementa: “Ela vai ter que dar tudo de uma vez.” São cinco dicas, todas seguindo essa mesma lógica.

 

O livreto, que foi distribuído no início do mês, foi produzido por alunos do Partido Democrático Universitário (PDU), que esteve na direção do CA até 2011. De acordo com André Luiz Ramos, presidente do 'partido', o propósito do manual era ser engraçado. “Queríamos receber os calouros com bom humor e se alguém se ofendeu peço desculpas, mas essa não foi a nossa intenção.”

 

André Luiz  conta que os manuais para calouros são uma tradição na faculdade e afirma que a repercussão dada ao material produzido foi desmedida. “Se houver patrulha ideológica a tudo que não é politicamente correto, viveremos em uma ditadura”, diz. Segundo ele, o Partido Acadêmico Renovador (PAR), que os acusa de incitar a violência sexual, também já produziu materiais de interpretação dúbia.

 

Em 2009, no “ABC do calouro”, produzido pelo PAR, é possível encontrar a seguinte definição: “Calouro: ser intelectualmente, hierarquicamente e esteticamente inferior a todos os demais acadêmicos. Submisso e sodomita, tem como características a debilidade física e mental.”

 

Apesar da polêmica, nenhuma medida prática foi tomada em relação ao material. A direção da Faculdade de Direito da UFPR afirmou em nota que repudia qualquer manifestação com conteúdo discriminatório ou preconceituoso. Segundo o diretor, professor Ricardo Fonseca, a diretoria ainda não recebeu nenhum pedido de apuração de responsabilidade e medidas administrativas só poderão ser tomadas após a petição.

 

Luísa Rodrigues, secretária do PAR, que atualmente está comandando o Centro Acadêmico da faculdade, afirma que o CA tem discutido tomar alguma atitude prática em relação ao manual, mas nada foi feito ainda. Para ela, as dicas dadas são uma apologia à violência sexual. “Não podemos ficar calados diante de algo tão repugnante”, afirma.

Segundo ela, o "ABC do calouro" já foi alterado e o manual produzido por eles em 2012 não possui nenhum conteúdo machista, homofóbico ou preconceituoso. Questionada se o manual do calouro se transformou em motivo para disputa política entre partidos rivais, ela disse que “todas as atitudes tomadas por nós e pelos integrantes do PDU são politicas, sendo publicando coisas machistas no manual, ou se levantando contra isso.”

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