Sérgio Castro/Estadão <br>
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Aumentar repasse não resolve o problema da universidade, diz Zago

Reitor também afirma que pedido de redução no ICMS para a instituição já estava combinado entre a USP e o Governo do Estado 

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2014 | 03h00

O aumento de repasses às universidades estaduais, segundo o reitor da USP Marco Antonio Zago, não solucionará o problema financeiro da instituição, que já gasta 105% das receitas com salários. "Resolve (a crise) reorganizar a nossa questão de gastos com recursos humanos", defende.

O conselho de reitores das estaduais solicitou neste mês ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à Assembleia Legislativa a elevação da cota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 9,57% para 9,907%. O envio do pedido foi revelado na semana passada pelo Estado.

"Já estava combinado. Não vejo porque não pedir", afirmou Zago. Os reitores cobram uma promessa feita pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia em 2005, de aumentar os repasses após a criação de mais vagas no ensino superior público paulista. O governo do Estado, porém, sinalizou que não deve atender ao pedido.

Outro pleito dos reitores é subir o teto salarial nas universidades, de atuais R$ 20,6 mil para R$ 26,6 mil. O limite remuneratório, segundo a Constituição paulista, é o que recebe o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Os reitores querem que o máximo corresponda a 90,25% do que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Reivindicação antiga, o objetivo é equiparar o teto dos professores das estaduais paulistas ao que é pago nas federais para evitar perda de talentos. "Isso (diferença nos tetos) é um desrespeito, do nosso ponto de vista, à noção da isonomia", aponta o reitor. Neste ano, o Tribunal de Contas do Estado rejeitou as contas da USP referentes a 2008 e 2011 por salários acima do teto.

Polêmicas. Sobre a transferência do Hospital Universitário (HU) e do Hospital de Reparação de Anomalias Craniofaciais (Hrac), de Bauru, ao Estado, Zago não quis comentar. "Não é o momento de discutir isso". Na semana passada, Alckmin afirmou que não tem interesse em assumir os hospitais. A desvinculação do HU ainda deve ser votada em outubro no Conselho Universitário (CO), órgão máximo da instituição. A transferência do Hrac já foi aprovada pelo CO.

O reitor também não quis responder às críticas feitas pelo seu antecessor, João Grandino Rodas, de que as medidas para cortar gastos levarão ao desmonte da universidade. "Ele tem a opinião dele e o direito de expressar". O aumento excessivo das despesas com a folha de pagamento na última gestão é apontado por Zago como a principal causa da crise financeira da USP. 

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