"Atrasada" mostra confiança

Jovem que perdeu o primeiro dia do Enem vem de família pobre e quer estudar Jornalismo

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2014 | 02h01

RIO - A estudante Amanda Alli, de 19 anos, que perdeu a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no sábado por ter chegado um minuto atrasada, fez as de ontem cheia de esperanças. "Ontem (anteontem) foi o pior dia da minha vida, desesperador. Mas minha família e meus amigos me apoiaram. Gente com quem eu não falava há um tempão, que estudou comigo na alfabetização, me procurou. Vim para tirar um notão. Fui muito bem na redação e em português, mas não tão bem em matemática", contou Amanda, que se precaveu e chegou ao campus da Universidade do Estado do Rio (Uerj), no Maracanã, às 11h45, quinze minutos antes da abertura dos portões.

Amanda usou todo o tempo de que dispunha, para fazer as provas - só saiu às 18h30. Esse é o terceiro Enem da candidata, que mora em Pilares, na zona norte do Rio, vem de família pobre e quer estudar Jornalismo. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, que realiza o Enem, o fato de ela ter zerado as provas de ciências da natureza e humanas não elimina suas chances de ingressar numa universidade - o que conta é a média. 

A jovem trabalha como artesã no barracão da escola de samba Salgueiro. Para se preparar, fez um curso comunitário noturno. "Eu vou conseguir. Essa história me mostrou quem são meus amigos. Sofri muitos ataques racistas na internet, gente dizendo que sou preta e favelada e me atrasei por ter passado a noite em baile funk", disse.

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