Júlia Batista/Facebook
Júlia Batista/Facebook

Arame farpado em portão da PUC-SP revolta estudantes

Instalação do equipamento 'visa à melhoria da segurança da comunidade', diz reitoria

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

04 Fevereiro 2013 | 21h44

A instalação de arame farpado sobre um dos portões de acesso ao câmpus da PUC-SP em Perdizes, zona oeste da capital, criou uma onda de rejeição entre estudantes. Desde ontem à noite o assunto é um dos mais comentados por alunos nas redes sociais. O semestre letivo começou nesta segunda-feira, 4.

 

Segundo a reitoria da universidade, "a medida está dentro de um contexto mais amplo, que visa à melhoria das condições de segurança da comunidade". Também foi feita manutenção no arame farpado que já cercava outras partes do câmpus.

 

Alunos que não reconhecem Anna Cintra como reitora legítima dizem, com ironia, que a cerca no portão da Rua Monte Alegre representa um "presente de boas-vindas". "Aquilo é um absurdo sem tamanho, uma afronta à comunidade estudantil", afirma o estudante de Direito André Paschoa, presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto. "É a prova física do autoritarismo de Anna Cintra."

 

A professora Anna Cintra foi nomeada para a reitoria apesar de ter ficado em terceiro e último lugar na eleição da qual participaram alunos, funcionários e docentes. A escolha do grão-chanceler da PUC-SP, o cardeal d. Odilo Scherer, revoltou parte da comunidade acadêmica, que fez greve no fim do último semestre letivo.

 

Na semana passada, a reitora discutiu a segurança no câmpus de Perdizes e no entorno com representantes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, além do subprefeito da Lapa e de membros dos Conselhos Comunitários de Segurança da Lapa e de Perdizes. Na pauta do encontro ganhou destaque a realização de festas na universidade.

 

Estudantes ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato dizem que era comum ver colegas pulando o portão da Rua Monte Alegre para entrar nas festas que terminam depois do horário de funcionamento da universidade, apesar de haver uma guarita de segurança logo ao lado.

 

Para o aluno de Jornalismo Stefano Wrobleski, se o objetivo era impedir o acesso de alunos ao câmpus, bastava orientar os seguranças a coibir quem tentasse pular o portão. "Ainda assim, é ridículo querer impedir uma pessoa de acessar a universidade, por mais fútil que seja o objetivo delas."

 

"Para mim, colocar o arame farpado faz parte da concepção que essa mulher (Anna Cintra) tem de universidade: um lugar cada vez mais fechado", completa Stefano.

 

Em nota, a reitora diz que a preocupação com a segurança da comunidade "pautou todas as gestões da PUC-SP". Segundo Anna Cintra, a colocação do arame farpado era uma "medida urgente". "Ainda não temos um projeto pronto de melhoria da segurança. Isso terá de ser discutido com a comunidade."

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