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Após suspensão de reorganização em SP, cai secretário da Educação

Segundo reportagem apurou, ainda há discussões internas no Palácio dos Bandeirantes para definir o nome do substituto

Pedro Venceslau e Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2015 | 14h49

Atualizada às 15h01

SÃO PAULO - Depois da suspensão do projeto de reorganização da rede estadual de São Paulo, anunciado nesta sexta-feira, 4, o secretário de Educação, Herman Voorwald, será substituído. O Estado apurou que ainda há discussões internas no Palácio dos Bandeirantes para definir o nome do substituto.

O secretário apresentou seu pedido de demissão, que foi aceito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). A saída decorre da avaliação de que ele não soube conduzir a discussão em torno do projeto, que acabou se transformando no maior desgate político do governador em 2015. A reportagem tentou falar com o secretário, mas não obteve resposta.

Segundo o Estado apurou, o secretário não teria conseguido emplacar a tese de que o movimento era político e partidário. Ele teria, ainda, apresentado ao Palácio dos Bandeirantes avaliações imprecisas sobre o cenário e demonstrado dificuldades de estabelecer pontes de diálogo com os líderes do movimento para desmobilizar as ocupações. 

A avalição entre os tucanos paulistas é que a resistência ao processo de reorganização e as ocupações vinham causando um desgate a Alckmin maior até que a crise hídrica. Segundo a pesquisa Datafolha divulga nesta sexta, seis em cada dez paulistas são contra a reorganização e 55% dos entrevistados apoiam as ocupações. O levantamento também revelou que Alckmin nunca enfrentou uma rejeição tão alta: 40% dos entrevistados classificam a gestão como regular, 30% como ruim e péssima e apenas 20% como ótima e boa.

A reorganização previa o fechamento de 93 escolas e a transformação de 754 unidades em ciclos únicos. O argumento é de que o projeto provocaria melhora nos indicadores educacionais. Além da oposição de alunos e professores, instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal do ABC (UFABC) se posicionaram contrários ao projeto. Uma das críticas de especialistas e alunos é de que o governo não havia realizado discussões sobre o projeto antes de anunciá-lo. 

Espaço. A primeira sinalização de que Voorwald estava enfraquecido aconteceu quando o secretário da Casa Civil, Edson Aparecido, foi escalado para negociar com o movimento. Antes disso, causou constrangimento interno no governo a entrevista do secretário em que ele afirmou que tem "vergonha" dos resultados da educação do Estado, concedida no último dia 25 à rádio CBN.

Voorwald assumiu a secretaria em 2011, quando deixou o cargo de reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). No início do ano, sua saída já foi dada como certa, mas, naquele momento, o governo não conseguiu encontrar um susbstituto. Em setembro, o secretário participou de processo seletivo para a reitoria do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), tentativa posteriormente abandonada antes do resultado final. 

Além de enfrentar a ocupação de escolas, o secretário conviveu no primeiro semestre neste ano com a maior greve de professores da escolas. O governo não concedeu reajuste aos professores neste ano.

Recuo. Em pronunciamento no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin anunciou a suspensão, afirmou que os alunos estudarão em 2016 em suas escolas e que será aberto diálogo com cada uma das unidades. "Recebi e respeito a mensagem dos estudantes e dos familiares, com suas dúvidas e preocupações. Nossa decisão é de adiar a reorganização", afirmou Alckmin, que, no pronunciamento, citou o papa Francisco, que afirma preferir o diálogo à violência. 

O recuo do governo foi divulgado horas depois de os estudantes terem iniciado mais um protesto nas ruas. A manifestação começou por volta das 7 horas, na Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste, subiu a Avenida Rebouças, entrou na Paulista, desceu a Consolação e chegou na Praça da República, onde funciona a Secretaria Estadual de Educação. A partir da Paulista, a polícia avançou sobre os alunos e lançou bombas para dispersar o protesto. Ao longo do protesto, estudantes ouviam palavras da população.

Polêmica. O anúncio da reorganização da rede estadual causou polêmica porque, para promovê-la, o governo fecharia 93 escolas. O objetivo, segundo a gestão Alckmin, era transformar 754 escolas em ciclo único - ou seja, elas passariam a ter apenas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, do 6º ao 9º do fundamental ou do 1º ao 3º ano do ensino médio. Com isso, 311 mil estudantes seriam trocados de escola. O governo afirma que a medida aumentaria a qualidade da educação, argumento rejeitado pelas faculdades de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Depois da Unicamp, a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) divulgou nota de repúdio ao projeto de reorganização da rede estadual de São Paulo. O projeto do governo Geraldo Alckmin (PSDB) também  foi criticado na tarde desta quarta-feira, dia 18, pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.

Nesta sexta-feira, o Estado mostrou que, em informe a promotores do Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc) do Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP), a Secretaria Estadual da Educação admitiu que a reorganização traria "redução de despesas"

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