Após resistência e morte, Faculdade de Economia terá catraca

Custo total deverá ficar em cerca de R$ 450 mil; alunos dizem que foram pegos de surpresa pela obra, cujo projeto estaria congelado

Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2015 | 03h00

Depois de anos de polêmica entre a direção e estudantes, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) passa por reformas para receber catracas. A unidade está reformulando a portaria e deverá receber, até o primeiro semestre de 2016, um conjunto de cinco catracas - três na entrada principal e outras duas nos fundos. 

O custo total da reforma deverá ficar em cerca de R$ 450 mil. Os alunos dizem que foram pegos de surpresa pela obra, cujo projeto estaria congelado.

A decisão de usar os equipamentos foi tomada em 2012, após votação na Congregação, que tem representação de professores, servidores e alunos. Só os estudantes foram contrários à medida. A proposta foi feita após discussões que sucederam a morte do estudante de Ciências Atuárias Felipe de Paiva, assassinado em 2011 após uma tentativa de assalto no estacionamento da Universidade de São Paulo (USP). 

O projeto inicial foi orçado em R$ 1,8 milhão, recebeu críticas pelo alto custo e não saiu do papel. Quando o professor Adalberto Fischmann assumiu a gestão, em 2014, retomou o plano e conseguiu reduzir o valor. A licitação foi feita e os trabalhos tiveram início em janeiro. Está em estudo agora a substituição de todas câmeras de segurança, consideradas ultrapassadas.

Fischmann diz que a medida é dura, mas necessária. “Tem gente que leva até tábua de vaso sanitário embora. Seria ideal que não tivesse catracas, mas a experiência nos tem mostrado que elas são necessárias”, afirmou. Ao menos 42 ocorrências de furto foram registradas na unidade entre 2010 e 2014, mas esse número pode significar subnotificação dos casos.

Controle. Alunos acusam a unidade de querer “controlar” o que é feito. “É muito forte a oposição à catraca na FEA. Desde o motivo ideológico, que é a restrição do acesso à universidade pública, ao prático: é ineficiente e caro”, diz Rodrigo Toneto, presidente do Centro Acadêmico da faculdade. 

Outra desvantagem apontada por Toneto é a limitação da circulação entre outras unidades. Os tapumes da obra receberam pichações “FEA prisão” e “cotas já, catracas nunca!”.

Algumas unidades da USP já têm catracas e câmeras de segurança, como o Instituto de Química (IQ), museus, centro esportivo e reitoria. A Faculdade de Medicina (FMUSP), além de catracas, tem 35 seguranças terceirizados e 65 câmeras. A ex-superintendente de Segurança Ana Lucia Pastore critica a desarticulação. “Não há ligação das unidades com a superintendência.” O novo superintendente, José Visintin, afirmou que a Guarda Universitária vai agora supervisionar a segurança terceirizada.

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