Após publicar fotos de escola, professora do Maranhão é demitida

Docente diz que vai à Justiça exigir direitos trabalhistas e indenização por danos morais

Estadão.edu,

30 Outubro 2012 | 18h03

Depois de fotografar seus alunos sob goteiras na escola municipal Guilherme Dourado, em Imperatriz, no Maranhão, a professora de história Uiliene Araújo Santa Rosa foi demitida pela instituição. As fotos, que ganharam repercussão nas redes sociais neste fim de semana, mostram o teto da escola cheio de buracos e estudantes usando guarda-chuvas enquanto faziam prova.

De acordo com Uiliene, ao postar as imagens em seu perfil no Facebook, sua intenção não era denunciar a escola, mas mostrar a sua indignação e chamar a atenção de seus colegas para o descaso com as escolas públicas do município. "Tanto é que neste primeiro momento, não cheguei sequer a identificar o colégio ou a diretora", afirma.

Na semana seguinte à postagem das fotos, a professora conta que após uma vistoria, a Secretaria de Educação da cidade providenciou reparos imediatos no telhado da escola. Na última quinta-feira, 25, Uiliene foi chamada à sala da diretora, que comunicou-a de um afastadamento de seu cargo.Neste dia, ao chegar em casa, a docente decidiu identificar o colégio e expor na rede a "injustiça" que estaria sofrendo. Na tarde seguinte, Uiliene foi comunicada do encerramento de seu contrato com a Prefeitura Municipal de Imperatriz por "atos de condutas que não estariam de acordo com as normas da escola".

"Fui injustiçada por ter expressado a minha indignação diante de uma situação precária em que se encontram as instituições de ensino público aqui em Imperatriz. Que democracia é esta que não nos garante esta liberdade? Muitos professores se sujeitam ao sistema e não se esforçam para mudar a realidade a sua volta. Têm medo, mas eu não", diz a professora.

 

Segundo Uiliene, a diretora do colégio, Ivone Carvalho, tem dito à imprensa que soube das fotos e da situação em que se encontrava a sala de aula pela internet. "Mentira", afirma. "Praticamente todas as salas da escola estavam daquele jeito e desde que comecei a trabalhar lá, em fevereiro, nada foi feito", diz. A professora afirma ainda que o imóvel é de propriedade da diretora, que o aluga à prefeitura.

A reportagem tentou entrar em contato com a diretora do colégio e com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação durante toda a tarde desta terça-feira, 30, e não obteve retorno até às 18 horas.

Uilene contou à reportagem que o Sindicato dos Urbanitários do Maranhão colocou à sua disposição um advogado para tratar do caso. José do Carmo Vieira de Castro, presidente da instituição, confirmou a informação e disse que a professora terá o apoio de uma assessoria jurídica. "Apesar de não estarmos ligados aos docentes, apoiamos a causa de Uilene", diz. "No Brasil, quem fala a verdade é sempre punido e nós não aceitamos isso", afirma o presidente. A professora entrará na Justiça contra o município pelo rompimento do contrato de trabalho e também pelos danos morais que a sua demissão lhe causou.

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