Após 5 meses, alunos da Unifesp Guarulhos encerram greve

Estudantes pediam melhorias na infraestrutura; entrada de novas turmas está ameaçada

Carlos Lordelo, do Estadão.edu, e Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo,

24 Agosto 2012 | 16h55

Os estudantes do câmpus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) decidiram encerrar uma greve que durava cinco meses. O retorno dos alunos às aulas foi aprovado na noite de quinta-feira, 23, durante assembleia, por 334 votos a favor e 195 contra – a unidade tem cerca de 3 mil alunos. Os estudantes cobravam melhorias na infraestrutura do câmpus e na assistência estudantil.

 

Ainda não há previsão para a volta definitiva às atividades, uma vez que os próprios professores também encerraram a greve na semana passada. Os alunos iniciaram a paralisação no dia 22 de março, pouco depois do início do primeiro semestre letivo. A maioria teve cerca de duas semanas de aula.

 

O longo período de paralisação pode comprometer a entrada de novos calouros no câmpus, no próximo ano. O reitor da Unifesp, Walter Albertoni, já dissera ao Estado que a paralisação poderia até cancelar o próximo vestibular.

 

O câmpus de Guarulhos abriga a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) e oferece seis cursos de graduação, todos da área de Humanas. A unidade é a maior da Unifesp, que hoje conta com seis câmpus. Criado em 2007, é também o que mais sofre com problemas de infraestrutura.

 

Alunos e professores esperam há anos pela construção do prédio principal – os envelopes do edital para a construção do prédio ocorrerá na segunda-feira, 27. Por falta de espaço, várias aulas são dadas em uma escola municipal vizinha ao câmpus. Já há o receio que não haja condições para abrigar novos alunos.

 

Reivindicações

 

Para o aluno de Filosofia Michael Melchiori, de 25 anos, a greve terminou por questões internas entre alunos e professores. “Os problemas de estrutura e de transporte público são gravíssimos. O câmpus é abandonado”, afirma Melchiori. De acordo com ele, as salas de aula ficam em frente ao local de construção do novo prédio. “Vai ficar inviável ter aula.”

 

A universidade quer evitar que os alunos convivam com a obra e busca um prédio provisório para alugar enquanto o novo prédio será construído. A reitoria diz que está aguardando a posição de “muitas imobiliárias” sobre novas opções de prédios para locação durante as obras, que têm duração prevista de 18 meses. Em relação ao transporte, a Unifesp afirma que vai investir R$ 140 mil mensais na operação de uma linha de ônibus entre o Metrô Itaquera e o câmpus.

 

Ainda segundo Melchiori, a pauta do movimento grevista está sendo respondida. “O MEC declarou de utilidade pública um terreno próximo ao câmpus, para construir a moradia universitária e a creche.” A nova área, ainda em processo de desapropriação, no entanto, não deve abrigar salas de aula.

 

Volta às aulas

 

Segundo o diretor acadêmico do câmpus de Guarulhos, Marcos Cezar de Freitas, a Congregação da EFLCH se reuniu, também ontem à noite, para iniciar o planejamento da reposição das aulas. O órgão tem até a próxima sexta-feira, 31, para apresentar “cenários possíveis”. “Tudo que foi parado será reposto, desde o início da greve dos alunos”, diz. Ele afirma ser “impossível” responder neste momento se o ingresso de novas turmas no primeiro semestre de 2013 está comprometido.

 

* Atualizada às 23h10

 

CRONOLOGIA

 

Paralisação de 5 meses

 

22 de março

Início

 

Para cobrar melhorias na infraestrutura do câmpus e na assistência estudantil, estudantes iniciam a greve.

 

3 de maio

Ocupação

 

Cerca de 80 alunos ocupam prédio da diretoria acadêmica do câmpus.

 

6 de junho

Reintegração

 

Na madrugada, policiais realizam reintegração de posse e 14 estudantes são levados à sede da Polícia Federal.

 

25 de maio

Reforço

 

Professores do câmpus Guarulhos aderem à greve nacional dos professores federais.

 

14 de junho

Prisão

 

A Polícia Militar invade o câmpus e prende 25 alunos. Todos são levados até a PF. Três deles foram soltos no mesmo dia.

 

16 de junho

Soltos

 

Os 22 alunos são soltos. Na saída, novo confronto com a Polícia Militar.

 

17 de agosto

Fim

 

Professores põem fim à greve.

 

23 de agosto

Fim

 

Após 5 meses, alunos decidem encerrar a paralisação.

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