JF Diório/Estadão
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Apenas USP adia decisão sobre abono salarial de grevistas

Unesp e Unicamp aceitam 28,6%; solução fica para terça-feira e Tribunal Regional do Trabalho convoca reitor

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2014 | 21h12

SÃO PAULO - As Universidades Estaduais Paulista (Unesp) e de Campinas (Unicamp) aceitaram nesta quarta-feira, 10, a proposta de abono salarial de 28,6% para seus servidores. A Universidade de São Paulo (USP) informou que só responderá sobre o tema em reunião do Conselho Universitário, na terça-feira. O índice, no entanto, foi proposto pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) diretamente à USP, única instituição que ajuizou ação na Justiça do Trabalho contra a paralisação de 108 dias de funcionários e professores.

Em audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira, o desembargador Davi Furtado Meirelles convocou o reitor da USP, Marco Antonio Zago, e o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Nelson Luiz Baeta, para o próximo encontro, no TRT, na quarta-feira. 

Ele considerou um “desgaste” a atitude do reitor de encaminhar a decisão ao órgão máximo da universidade, o que pode levar a paralisação a durar mais uma semana. Funcionários e docentes já aceitaram a proposta, mas aguardam a resposta da administração da USP. 

“A bola estava com ele (Zago). Ele podia pegar a bola, botar na marca do pênalti e fazer o gol. Ele preferiu carregar a bola para o vestiário”, afirmou Meirelles. A reunião terminou sem novas determinações. Um representante do Ministério Público do Trabalho (MPT) que participou da reunião foi na mesma direção e comentou que o impasse “deve-se exclusivamente à indecisão da reitoria”. A afirmação, no entanto, não foi incluída nos autos. 

A reitoria da USP informou que todas as decisões precisam ser aprovadas por seu órgão máximo, o Conselho Universitário. Em relação à demora, a universidade afirmou que, por questões regimentais, o órgão precisa ser convocado com cinco dias de antecedência. 

O resultado do encontro foi criticado pelos grevistas, que disseram depender da resolução do abono para encerrar a greve. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno Carvalho, afirmou nesta quarta, mais uma vez, que houve uma “quebra de isonomia do Cruesp (Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas)”, tese que foi negada pela presidente do conselho, a reitora da Unesp, Marilza Vieira Rudge. 

Pauta isolada. Na segunda-feira, o Cruesp, em encontro com o Fórum das Seis - entidade que reúne representantes dos sindicatos dos professores e servidores -, decidiu que a discussão sobre o abono não poderia ser tomada de forma unilateral para todas as instituições, mas que cada uma delas deveria tomar uma decisão isolada. 

O valor refere-se ao pagamento do período descoberto pelo reajuste de 5,2% cedido aos servidores entre o mês de maio, data-base da categoria, e setembro, quando o porcentual incidirá sobre o salário.

Os professores da Unicamp já haviam recebido abono de 21% sobre o salário de julho, oferecido pela reitoria em troca da suspensão da greve. Depois da reunião desta quarta-feira, 10, foi ofertado a eles receber nova parcela de 7,6%. As categorias ainda votarão se aceitam a proposta - o pagamento será feito após sete dias do acordo. A Unesp, além do pagamento do porcentual, garantiu reajuste do vale alimentação.

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