Análise: Precisamos de mais universidades no ranking do THE

'Nossos currículos são baseados em um tempo excessivo em sala de aula e especialização precoce, dificultando intercâmbio com as melhores universidades'

Leandro Tessler, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2014 | 17h00

A edição 2014-2015 do ranking de universidades do Times Higher Education chama a atenção pela ausência de novidades do Brasil. É verdade que a USP ficou mais próxima da cobiçada faixa das top 200, mas continuar com somente duas entre as 400 melhores universidades do mundo não pode ser considerado um resultado animador. 

Se comparamos o perfil típico das universidades brasileiras com as mais bem colocadas constatamos que estamos muito atrasados em internacionalização e em ensino, além de muito de nossa pesquisa ser ignorada pelo mundo por ter sido publicada em português. Nossas melhores universidades ainda apresentam forte endogenia e contam com pouquíssimos professores estrangeiros. Nossos currículos são baseados em um tempo excessivo em sala de aula e especialização precoce, dificultando intercâmbio com as melhores universidades. 

Não conseguimos atrair um número importante de estudantes estrangeiros de fora da América Latina. Que pode ser feito? Algumas respostas são óbvias: as universidades brasileiras precisam superar seu ranço anti-americano e contra a língua inglesa. Internacionalização no mundo contemporâneo não é possível sem o uso pesado do inglês. Não vamos atrair mais estudantes estrangeiros se não forem oferecidos cursos ou pelo menos disciplinas importantes em inglês. 

É preciso buscar os melhores talentos do mundo todo (e não só do Brasil) nos processos de contratação de professores. As universidades brasileiras e o Conselho Nacional de Educação deveriam estar se perguntando como é possível formar no exterior profissionais melhores e com mais preparo para inovar expondo-os a uma formação aberta, com menos da metade da carga horária obrigatória no Brasil. O programa Ciência sem Fronteiras está proporcionando uma exposição internacional inédita para o ensino superior brasileiro. Precisamos agir rapidamente para não perder a oportunidade de transformar isso em educação de maior qualidade, ter mais universidades de classe mundial e maior presença nos rankings.

Leandro Tessler é professor da Unicamp, ex-coordenador de Relações Internacionais da instituição

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