Análise: O Ideb e a melhoria da educação

'É triste ver o MEC perder a chance de divulgar um conjunto de informação útil para a análise dos nossos problemas educacionais'

Paula Louzano, Doutora em educação por Harvard

06 Setembro 2014 | 03h00

A divulgação dos resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2013 mostra mais uma vez nossa dificuldade de irmos além dos rankings. É triste ver o MEC perder a chance de divulgar um conjunto de informação útil para a análise dos nossos problemas educacionais e dos possíveis caminhos a seguir no dia que a educação vira manchete nacional.

O Ideb tem em sua composição a média de matemática e língua portuguesa de uma rede de ensino ponderada pela taxa de aprovação. Portanto, para aumentar o Ideb uma rede pode aprovar mais alunos ou aumentar seu aprendizado em matemática e língua portuguesa. Como as duas ações são importantes e deveriam estar interligadas, as redes de ensino que estão fazendo um bom trabalho educacional são exatamente aquelas que são capazes de melhorar os dois indicadores, e isso não se vê refletido necessariamente na nota do Ideb. Vamos esperar a informação do desempenho em cada uma das disciplinas que compõe o Ideb, entregues em uma métrica que permite analisar pedagogicamente os problemas educacionais, para podermos aprofundar a análise de um desafio que parece se repetir desde 2009: não logramos transformar a melhoria na qualidade da educação dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) em melhorias no ciclo seguinte (6º ao 9º ano) ou mesmo no ensino médio.

Em termos práticos, isso significa que de todos os alunos que chegam ao 6º ano sabendo divisão com divisor de dois dígitos, somente metade desses vai aprender no final do 9º ano a transformar fração em porcentagem e apenas a metade da metade vai sair do ensino médio sabendo calcular juros simples. Além disso, ao mesmo tempo em que aumenta o contingente de alunos a quem é negado um conhecimento poderoso, aumentamos o número de reprovados e expulsos do nosso sistema educacional.

Portanto, os sistemas de educação que deveriam ser escrutinados para que possamos aprender são aqueles que estão conseguindo melhorar o aprendizado sem reprovar ou expulsar maciçamente os que apresentam dificuldade. Infelizmente, o ranking do Ideb não é capaz de nos fornecer esta informação, razão pela qual o conjunto dos dados coletados pelo Inep precisa ser divulgado.

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