Análise: É preciso enfrentar as desigualdades na educação

Estudos mostram que questões socioeconômicas refletem em desigualdades de aprendizagem muito cedo, como na amplitude do vocabulário, no desenvolvimento motor e socioemocional

Ernesto Faria e Tadeu da Ponte, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 03h00

Os dados da ANA são mais um indicativo da dificuldade que temos ao enfrentar as desigualdades regionais. Já ao final do 3º ano do fundamental, a diferença entre os resultados dos Estados é muito grande, sendo, na maioria dos casos, reflexo de desigualdades socioeconômicas.

Estudos mostram que questões socioeconômicas refletem em desigualdades de aprendizagem muito cedo, como na amplitude do vocabulário, no desenvolvimento motor e socioemocional, além da aquisição de habilidades e de conhecimentos. Essa desigualdade precisa ser combatida desde muito cedo, pois há muitas evidências de que ela só se amplia com o passar dos anos letivos, e revertê-la no ensino médio é quase impossível. Se olharmos só para os resultados do Norte e do Nordeste, 7 a cada 10 crianças não dominam as habilidades esperadas em Leitura e Matemática. Aliás, a desigualdade brutal em Matemática tão cedo chama a atenção, já que as questões familiares/econômicas, geralmente, têm menor influência se comparadas ao impacto que têm em Leitura.

Fazemos duas sugestões para o combate ds desigualdades: oferecer mais recursos pedagógicos para as escolas que atendem alunos de baixa renda. Havendo limitação de recursos, que se priorize a educação infantil e os primeiros anos do fundamental. Já a segunda é que de fato trabalhemos para uma implementação efetiva da Base Nacional Comum, e que a partir dela se tenha altas expectativas e suporte ao trabalho pedagógico dos educadores. Precisamos de escolas em que um aluno de baixa renda possa se desenvolver tanto quanto osmais favorecidos economicamente.

FARIA É DIRETOR DO INTERDISCIPLINARIEDADE E EVIDÊNCIAS NO DEBATE DA EDUCAÇÃO E PONTE É PESQUISADOR DO INSPER

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