WERTHER SANTANA / ESTADão
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Analfabetismo entre pretos e pardos é mais que o dobro do que entre brancos, diz IBGE

A cada dez pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais, três são analfabetas; entre os brancos, há apenas um idoso analfabeto a cada dez

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2017 | 10h50

RIO - O Brasil ainda tem 11,8 milhões de analfabetos. A taxa de analfabetismo das pessoas com 15 ou mais anos de idade foi estimada em 7,2% em 2016, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua): Educação, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O analfabetismo é mais agudo entre pretos e pardos, onde a incidência de analfabetos é mais que o dobro do que entre brancos. Na população de cor branca, quatro em cada 100 pessoas eram analfabetas. Entre os pretos ou pardos, 10 em cada 100 eram analfabetos.

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A situação fica mais grave com o avanço da idade. De cada dez pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais, três são analfabetas. Entre os brancos, há apenas um idoso analfabeto a cada dez.

"É um problema de estoque, dessa população mais velha. Só vamos diminuir o analfabetismo conforme essa população mais velha for morrendo", disse Marina Aguas, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

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A falta de estudos foi um desafio na vida do casal de aposentados Jair Araújo, de 64 anos, e Maria José, de 70. Vindos do interior de Minas, eles tiveram de abrir mão da escola para se dedicar ao trabalho. Ela nunca aprendeu a ler e escrever. Araújo consegue, mas com dificuldade, e frequentemente recorre à ajuda dos filhos para pagar contas e ler cartas.

“Só fui estudar depois de formar meus filhos”, conta. "A professora vinha dar aula no sítio, mas eu tinha de trabalhar. A gente nunca conseguia concluir um ano inteiro.” 

Atraso. O Plano Nacional de Educação (PNE), de 2014, previa redução da taxa de analfabetismo para 6,5%, em 2015, o que foi alcançado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "Os dados são importantes para fomentar políticas públicas para a redução do analfabetismo", lembrou Marina.

A Região Nordeste tinha a maior taxa de analfabetismo (14,8%), mais de quatro vezes superior às taxas estimadas para as Regiões Sudeste (3,8%) e Sul (3,6%). Na Região Norte, o analfabetismo foi de 8,5% e, no Centro-Oeste, 5,7%.

O PNE prevê erradicar o analfabetismo no País em sete anos. “Duvido que a gente consiga cumprir essa meta até 2024”, diz Rossieli Soares da Silva, secretário de Educação Básica do Ministério da Educação. “Não são problemas que surgiram do dia para a noite. É um acúmulo que resultou nisso”, acrescenta ele, que ressaltou os esforços da pasta para ampliar o acesso à creche e à pré-escola. 

Para Olavo Nogueira Filho, diretor de Políticas Educacionais do Movimento Todos pela Educação, além de aumentar a inclusão de crianças e adolescentes, é preciso elevar o nível do ensino. “A falta de qualidade impede que a educação seja a ferramenta transformadora de redução da desigualdade.” / COLABOROU LUIZ FERNANDO TOLEDO

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