'Amor e limites' são o segredo

Uma conversa comum entre os alunos do 9.º ano da Escola Estadual Professor Sebastião Francisco Ferraz de Arruda é a decepção por precisar sair da escola ao chegar ao ensino médio. Ali, só há os dois ciclos do ensino fundamental. O colégio no Bairro 2000, periferia de Itápolis, a 360 km da capital, nem sequer tem quadra própria e usa um espaço municipal na frente da unidade.

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2015 | 02h06

"O segredo aqui são os professores, eles te dão muita atenção. Eu sinto que eles vão até o fim por nós", diz a estudante Daniela Eliza de Souza, de 14 anos, do fundamental.

Muitos dos alunos do Sebastião passam os nove anos do fundamental por ali, o que cria uma identificação com a escola e com a equipe.

Mesmo atendendo alunos com nível socioeconômico baixo, a escola conseguiu obter Idesp de 7,36 em 2013 no primeiro ciclo e passou para 7,46 no ano passado - ante uma média estadual de 4,76. No segundo ciclo, o Idesp da escola passou de 5,18 em 2013 para 5,42 em 2014, mais do que o dobro da média estadual.

O estudante Gilmar Vieira da Silva Junior, de 14 anos, é um dos que estudam na unidade desde o 1.º ano. O gosto pela leitura - está para finalizar toda a série Harry Porter - e pelo desenho acabou ficando em segundo plano no ano passado, por causa de problemas que enfrentou, com companhias que ele se arrepende de ter seguido.

"Um professor me pagou um curso de desenho e agora também estou fazendo informática. Sinto muita sorte de estar aqui", diz. "Quero conseguir um futuro melhor, fazer faculdade", diz o adolescente.

A diretora Maria Cecilia Bispo Varjão Soares, a Cica, de 63 anos, diz que o garoto foi uma das "reconquistas" da escola - uma parte da realidade sobre a qual a escola pública não pode fugir. "O nosso lema aqui é amor e limites. E ouvir o depoimento como o do Gilmar é o que nos move a continuar nessa carreira", diz.

 

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