Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Alunos têm até as 17 horas deste sábado para sair da reitoria da USP

Oficial de Justiça notificou estudantes da liminar que concede reintegração de posse à universidade

Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo, e Caio do Valle, do Jornal da Tarde,

04 Novembro 2011 | 14h37

* Matéria publicada às 18h e texto atualizado pela última vez às 19h40

 

SÃO PAULO - Os estudantes que ocupam o prédio da reitoria da USP têm até as 17h de amanhã para deixar o local, na zona oeste de São Paulo. O prazo começou a valer a partir da notificação da liminar que determinou, ontem, a reintegração de posse do edifício. O documento foi levado nesta sexta-feira pelo oficial de Justiça Valdemir Maciel.

 

O mandado estabelece que a desocupação seja realizada sem violência e deve envolver a participação de representantes dos ocupantes e da reitoria. Caso seja ultrapassado o prazo de 24 horas para negociações, a juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9.ª Vara da Fazenda Pública Central, autorizou o uso da força policial.

 

Nenhum estudante aceitou receber em mãos a notificação judicial. Maciel tentou entregar o documento, mas um grupo de alunos e funcionários não o deixou entrar no prédio. Com os braços dados, os manifestantes fizeram um cordão de isolamento do portão da garagem, por onde cerca de 100 pessoas invadiram o edifício na madrugada de terça para quarta-feira.

 

Maciel, então, passou a ler o mandado em voz alta e declarou os alunos "oficialmente intimados" - embora o grupo do lado de fora do prédio tenha vaiado o oficial de Justiça e gritado: "O senhor não está intimando ninguém. Não há ocupantes aqui".

 

 

 

Conciliação

 

O documento lido por Maciel também convoca representantes dos ocupantes para uma audiência de conciliação amanhã, às 10h, no Fórum Hely Lopes Meirelles, na região central. Os alunos não confirmaram presença no encontro.

 

Pouco antes da chegada do oficial de Justiça, representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e dos estudantes disseram, em entrevista, que as negociações iniciadas na manhã desta sexta com a reitoria não avançaram.

 

 

Na reunião, uma comissão de dirigentes da universidade propôs que os alunos deixassem o prédio para que fossem criados dois grupos de trabalho, com o objetivo de discutir a questão dos processos administrativos e os termos do convênio da USP com a Polícia Militar.

 

Os estudantes não concordaram com a oferta. Conforme decidiram na assembleia de ontem, eles só deixam a reitoria caso sejam cumpridos três "eixos políticos": a saída da PM da universidade, a retirada dos processos contra alunos, funcionários e professores, e a revisão do convênio entre a reitoria e a secretaria estadual da Segurança Pública.

 

Rafael Alves, aluno de Letras e um dos ocupantes, afirmou que o reitor João Grandino Rodas será responsável pela agressão aos alunos, caso a PM seja chamada para liberar o prédio.

 

Em nota publicada no blog da ocupação, os estudantes dizem que "a reitoria não quis negociar". "A negociação foi uma farsa somente para a reitoria fingir que está aberta ao diálogo." Os alunos também reclamaram, via Twitter, que a universidade desligou a internet e a energia do prédio ocupado.

 

Hoje à noite os manifestantes prometem realizar uma festa "contra a repressão" na reitoria.

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