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Alunos na reitoria da UFSC farão assembleia sobre rumos da ocupação

Tomás M. Petersen - Especial para O Estado de S.Paulo

26 Março 2014 | 10h 30

Prédio foi tomado depois de confronto entre policiais e estudantes no campus, na tarde desta terça, após a prisão de alunos portando maconha

FLORIANÓPOLIS - Os cerca de 100 alunos acampados dentro da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tentam no início da manhã desta quarta-feira, 26, convocar mais estudantes para uma assembleia às 11h que decidirá os rumos do movimento. Desde a noite desta terça, centenas de manifestantes ocuparam o espaço em protesto contra uma ação policial no campus que terminou em confronto e tumulto.

O movimento, organizado por meio do Facebook e intitulado "Levante do Bosque", emitiu na noite de terça um comunicado explicando os motivos da ocupação da reitoria da universidade. Eles exigem a polícia fora do campus, um novo projeto de iluminação para a universidade, afastamento e punição dos responsáveis pela operação policial que desencadeou o conflito. Também pedem a revogação de um memorando da UFSC que autoriza a entrada da PM e proíbe festas dentro do campus.

No final da noite de terça, o gabinete da reitoria da UFSC divulgou uma nota de repúdio à ação das polícias Federal e Militar dentro do campus. Segundo o texto, assinado pelas reitoras Roselane Neckel e Lúcia Helena Pacheco, a "comunidade da UFSC foi vítima de uma ação violenta e desnecessária, comandada por delegados da Polícia Federal, ferindo profundamente a autonomia universitária e os direitos humanos e qualquer protocolo que regule as relações entre as instituições neste País." Elas reafirmam que em nenhum momento a ação da polícia foi solicitada pelo gabinete.

Às 16h desta quarta-feira, a reitoria vai realizar uma audiência pública para discutir o episódio e a relação da Universidade com as polícias. A reitora Roselane Neckel estará presente.

Confronto. O incidente teve início na tarde de terça-feira quando agentes da Polícia Federal à paisana investigavam o consumo de drogas dentro do campus universitário. Ao todo, cinco pessoas foram flagradas em posse de pequenas quantidades de maconha. A confusão começou quando estudantes e servidores se reuniram para impedir que os detidos fossem levados à delegacia.

Os policiais tiveram que pedir reforço do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que após negociações, utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter os manifestantes. Ao fim do tumulto, os cinco detidos foram encaminhados à delegacia para assinatura do Termo Circunstanciado, dois carros (um da PF e outro da segurança do campus) foram depredados e os manifestantes decidiram ocupar a reitoria da UFSC em forma de protesto.