Alunos mantêm ocupação na zona leste para pedir reformas

Estudantes reclamam da infraestrutura de colégios; secretaria afirma que invasões impedem apuração

Isabela Palhares, Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña, Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2015 | 21h53

SÃO PAULO - A falta de reforma fez com que alunos da Escola Arthur Chagas, no Conjunto Habitacional Teotônio Vilela, na zona leste, mantivessem a ocupação mesmo depois de suspensa a reorganização da rede. Na unidade, reclamam eles, os banheiros estão sem porta e há goteiras.

“O protesto contra a reorganização nos levou a ocupar. Mas não só. Queremos mostrar que a escola está em situação precária. Continuamos (a ocupar) porque queremos melhorias”, diz Aniely Silva, de 17 anos, do 3.º ano do ensino médio.

Na Escola Diadema, no centro da cidade do ABC, a primeira a ser ocupada no Estado, a queixa é sobre sujeira. Segundo o estudante Cauê Albuquerque, um dos banheiros era usado como depósito para materiais quebrados. “Era tanto entulho e lixo, que o local atraía baratas, ratos”, contou ele, de 17 anos.

Na Escola Moacyr de Campos, no Jardim Aricanduva, zona leste, há vidros e carteiras quebradas, além de entulho. Lá, os alunos já deixaram o prédio. 

Até em colégios em obras há reclamações. É o caso do Plínio Negrão, na Vila Cruzeiro, zona sul, que segue ocupado. A reclamação é que o barulho e o cheiro de tinta – de uma obra de rampas, elevador e adaptação de banheiros – anteciparam o fim das aulas várias vezes no ano letivo. 

Resposta. A Secretaria da Educação do Estado (SEE) diz que as ocupações impedem o acesso de funcionários, como na Escola Diadema, o que inviabiliza reparos e limpeza. Na Moacyr de Campos, a pasta viu 180 vidros quebrados após a saída dos alunos e a troca será em janeiro. Sobre a Plínio Negrão, afirma que a obra – de R$ 1,4 milhão e parada desde a ocupação – é para acessibilidade. Procurada na noite de sexta, não detalhou a situação da Arthur Chagas. 

Nos últimos dois anos, foram 1,7 mil obras em escolas da rede. Em 2016, segundo a pasta, serão R$ 40 milhões para reparos e manutenção via associações de pais e mestres. A SEE acrescentou que o orçamento inicial pode ter aportes. Segundo a pasta, um exemplo de gasto não previsto é o de reforma e compra de mobília em escolas vandalizadas no movimento contra a reorganização da rede. 

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