TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Alunos já saíram de 42 escolas e mantêm atos

Jovens organizaram dois protestos, mesmo após Alckmin suspender reorganização

Isabela Palhares e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

07 Dezembro 2015 | 21h49

SÃO PAULO - Três dias depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar a suspensão da reorganização escolar, 42 colégios foram desocupados pelos estudantes - o movimento chegou a ter 196 unidades tomadas. Nesta segunda-feira, 7, porém, estudantes promoveram dois protestos, com bloqueio de rua e estrada, e houve shows em apoio às escolas ainda ocupadas. 

De acordo com a Secretaria da Educação do Estado, o número de escolas tomadas por alunos passou de 188, na manhã desta segunda, para 154 no fim da tarde. Na sexta-feira, dia em que Alckmin publicou o ato que revogou a reorganização da rede, o número havia chegado a 196. Na Escola Estadual Gavião Peixoto, em Perus, zona norte, os alunos decidiram que vão deixar a unidade hoje, depois de terem recebido o apoio de artistas que fizeram shows no colégio na tarde desta segunda.

“Esses shows mostram que nossa luta não acaba aqui, nós vamos desocupar a escola, mas continuamos batalhando. Não queremos prejudicar os outros alunos, por isso, vamos sair. Mas saímos com a cabeça levantada e o apoio popular”, disse Vanessa Alves da Silva, de 16 anos, aluna da Gavião Peixoto.

A resistência dos alunos, no entanto, tem provocado críticas. Nesta segunda, 50 estudantes das escolas Fernão Dias e Godofredo Furtado bloquearam o cruzamento das Avenidas Rebouças e Faria Lima, em Pinheiros, na zona oeste. Durante a manifestação, motoristas e moradores se opuseram aos protestos.

Dois homens que não se identificaram saíram de seus carros para discutir com os manifestantes. Um deles deu um soco na boca de uma aluna. Outro tentou empurrar os estudantes, mas os manifestantes evitaram mais confrontos. Mais à frente, na Rua Teodoro Sampaio, um ovo foi atirado de um prédio nos manifestantes. De manhã, manifestantes bloquearam a Rodovia Raposo Tavares, sentido capital, por quase 5h.

Os alunos que participaram dos atos dizem que querem o cancelamento da reorganização - e não a suspensão da medida, como anunciou Alckmin, que prometeu ainda discutir a proposta no próximo ano.

Eles, no entanto, não chegam a consenso sobre a continuidade das ocupações. A presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, disse respeitar a autonomia dos jovens. “A Ubes se posiciona a favor das ocupações e respeita a autonomia e responsabilidade de cada estudante que ocupou sua escola a definir a data para sair.”

Interior. Em Sorocaba, os alunos desocuparam a Diretoria Regional de Ensino da cidade e três escolas. Apenas a Escola Estadual Senador Vergueiro permanece tomada, mas os estudantes informaram que devem deixar o prédio hoje, após a apresentação de uma peça. /COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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