Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Alunos já estão preparados para ensino médio flexível, diz diretor

Para presidente de associação de escolas, Mauro Salles Aguiar, desafios da reforma do ensino médio está na organização dos colégios; Estado realiza fórum sobre o tema

Tulio Kruse, Especial para o Estado

04 Setembro 2017 | 18h58

A preparação do aluno para o novo ensino médio, em que o jovem poderá escolher parte de suas aulas, não será dificuldade para as escolas. Segundo o diretor do colégio Bandeirantes, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e presidente da Associação Brasileira de Escolas Particulares, Mauro Salles Aguiar, o principal desafio da transição para o novo ensino médio será lidar com a organização nas escolas nesse novo modelo. 

“O ensino médio brasileiro é um desastre total. Da forma como está montado, está trazendo resultados muito ruins e precisa mudar”, diz o diretor.

Aguiar é um dos convidados do Fórum Estadão - O Novo Ensino Médio, que será realizado nesta terça-feira, 5. O evento terá também a presença de representantes do Ministério da Educação (MEC), do Conselho Nacional de Educação (CNE) e especialistas da área para debater questões referentes às alterações nas escolas de todo o País. As discussões serão realizadas em dois painéis, com espaço para debates e perguntas dos espectadores. O evento terá transmissão ao vivo e faz parte da cobertura especial do Estado sobre o tema, iniciada em junho deste ano.

O evento será realizado no auditório do Estado, no bairro do Limão, na zona norte de São Paulo, a partir das 8h30 e com encerramento previsto para as 12 horas. Confira a entrevista com Aguiar:

Com o novo ensino médio, o aluno vai ter que sair de uma mentalidade no ensino fundamental com um currículo com disciplinas, e passar a escolher as matérias no ensino médio. Hoje, os alunos brasileiros já estão preparados para assumir esse protagonismo?

Com certeza. A maior dificuldade hoje não está no lado do aluno. A maior dificuldade é do lado da organização das escolas, da formação de professores. É o imenso corporativismo, que não tem nada a ver com o bem-estar do aluno.

O ensino médio brasileiro é um desastre total. Da forma como está montado, está trazendo resultados muito ruins e precisa mudar. O que se nota é uma imensa desmotivação do aluno no ensino médio, principalmente na escola pública, que são 80% dos alunos. Esse estudante da rede pública não vê sentido no ensino médio com 13 disciplinas, conteúdos obrigatórios. É muito longe da realidade, da vida dele.

O que o Brasil faz (no modelo atual) está na contramão do que os principais países mais avançados e mais desenvolvidos na educação fazem, que é um ensino médio muito mais flexível, inclusive com mais caminhos para a profissionalização. Acho que (manter o atual modelo) é subestimar o estudante, que já é um adolescente, não dar espaço para que ele consiga colocar demandas que são dele. E, se você não der o espaço, acontece o que está acontecendo: ele desiste.

Como a educação terá de ser trabalhada para que o aluno tenha realmente protagonismo? Para alguns, será necessário dar mais aconselhamento?

É preciso ter um núcleo de orientação forte e trabalhar muito com os professores de maneira a dar apoio correto ao aluno. Apoio correto significa não jogar seus preconceitos para cima do aluno, o que só atrapalha. 

A palavra de ordem é diversidade, você precisa ter um aluno que respeite todos os tipos de diversidade, seja econômica, de orientação sexual, de cor, de origem de outros países, situações sociais diferentes, e assim por diante. A escola hoje tem de trabalhar muito essa questão da diversidade, independentemente do currículo. As competências sociais são fundamentais no mundo do trabalho e na sociedade em geral.

Além disso, é preciso ter professores e orientadores que ajudem os alunos a escolher caminhos (de carreira), que não são caminhos definitivos mas precisam ser feitos. Isso faz parte da nova missão da escola.

O MEC tem indicado que os Estados e as escolas terão bastante autonomia na implementação da reforma. Existe um formato de currículo mais adequado que permitiria o aluno a se desenvolver?

No momento, como ainda temos uma realidade de um vestibular muito conteudista - como é o caso da Fuvest no Estado de São Paulo, que vem mudando mas é muito conteudista ainda -, as escolas tem de ter um currículo obrigatório ainda bastante forte no sentido de conteúdo. Mas, ao mesmo tempo, é preciso dar uma enxugada de forma a abrir espaço para as trajetórias.

Cada escola tem de escolher essas trajetórias de uma forma muito sintonizada com a demanda dos seus alunos, da sua clientela. Isso varia muito.Você terá certamente colégios com mais vocação para área mais profissionalizante, outros com um perfil muito mais acadêmico. O ministério (da Educação) está correto em dar flexibilidade às escolas.

O sistema de créditos, que as universidades já usam há bastante tempo, é um caminho. Claro que você precisa adaptar isso à realidade do aluno, às características de outro estágio da formação educacional. Eles são muito mais imaturos, e assim por diante. É por isso que eles precisam de mais apoio ao escolher do que na universidade.

Serviço

Fórum Estadão - O Novo Ensino Médio

Data: 5 de setembro de 2017 -  8h30 às 12h00

Local: Auditório Estadão. Avenida Professor Celestino Bourroul, 100. Bairro do Limão  

Abertura: 9h

Painel 1 - “As principais mudanças”

9h10 às 9h55 (debate) | 9h55 às 10h15 (perguntas)

Painel 2 - “A implementação para alunos, escolas e professores”

10h45 às 11h30 (debate) | 11h30 às 11h50 (perguntas)

Encerramento: 12h

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