TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Protesto de alunos termina em confronto com a PM na zona oeste

Manifestação impedia trânsito na esquina da Rua Teodoro Sampaio com a Henrique Schaumann; PM jogou bomba de efeito moral

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

02 Dezembro 2015 | 18h04

Atualizada às 22h35

SÃO PAULO - Duas pessoas foram detidas durante o ato feito por estudantes na tarde desta quarta-feira, 2, em Pinheiros, na zona oeste da capital. O grupo, que trancou por mais de uma hora três pistas do cruzamento da Rua Teodoro Sampaio e da Rua Henrique Schumann, protestava contra a reforma da rede estadual proposta por Geraldo Alckmin (PSDB).

A Polícia Militar dispersou a manifestação com bombas de gás. Os alunos correram pela Teodoro Sampaio, no sentido da Dr. Arnaldo, enquanto os PMs avançavam pela via. Washington Romeu, um dos presos, se sentou no meio da rua em protesto. Ele foi detido pelos policiais, sob gritos de manifestantes.

"Fui um bode expiatório", diz o supervisor de cobrança, de 38 anos, mais conhecido como Shitão. "Prenderam um adulto para acuar os menores de idade", acrescenta ele, pai de um aluno da rede estadual.

Segundo o boletim de ocorrência, Romeu foi detido por se negar a "desobstruir a via pública". Logo que ele se sentou, foi rapidamente retirado pelos PMs, como acompanhou a reportagem. "Nem chegaram a falar comigo. Já me puxaram, com força", relata. Ele não estava no protesto desde o início, mas nas redondezas, e correu até a Teodoro Sampaio quando soube do uso de bombas.

O maior problema, segundo ele, é a falta de diálogo do governo estadual com a população. "E é bonito ver quem sempre foi tachado de pichar e depredar a escola lutando pela educação", afirma Romeu, que tem acompanhado outras passeatas contra a reforma da rede estadual.

A outra detida foi uma advogada. Ela não participava do protesto e apenas passava pelo local, quando decidiu registrar com a câmera do celular a ação da polícia. "Tinha três senhoras, uma de bengala, assustadas por causa do gás (da bomba jogada pela PM). Por isso, resolvi filmar", conta ela, que pediu para não ser identificada.

De acordo com ela, os policiais a jogaram no chão no momento da prisão. A advogada ficou com os pulsos machucados. "Nunca tinha acompanhado nenhum desses protestos", afirma. Ela nega ter se dirigido aos policiais antes da abordagem dos agentes.

O tenente Voltarelli, responsável pelas ações da PM no protesto, diz que a advogada foi presa por desacato e Romeu, por desobediência. Sobre as queixas dos dois de intransigência da polícia, ele afirma que "esse é um direito deles." Não houve mais detidos, de acordo com o tenente. Os boletins firam registrados no 14º DP (Pinheiros).

Durante a confusão, três policiais militares entraram em um ônibus para intimidar um passageiro que criticou a ação da polícia no protesto desta quarta. Os outros passageiros do coletivo ficaram assustados. 

Os manifestantes se deslocaram para a Avenida Paulista, onde reiniciaram o protesto. Duas faixas da Paulista foram bloqueadas no sentido Consolação por volta das 20 horas. Os estudantes gritavam: "amanhã vai ser maior".  A Polícia Militar acompanhou o ato, que se encerrou por volta das 20h20.

Início. O grupo saiu da Escola Fernão Dias Paes, no mesmo bairro, ocupada por alunos desde 10 de novembro. Os manifestantes colocaram carteiras na faixa de pedestres por volta das 17 horas e impediam a passagem de motoristas que tentavam avançar o bloqueio.

Alguns chegaram a bater boca com os estudantes, que deram passagem apenas em alguns momentos, principalmente para quem ia para o Hospital das Clínicas. Para passar, os manifestantes insistiam para que os motoristas descessem e empurrassem os veículos. O ato prejudicou torcedores que seguiam para o Allianz Parque, para assistir à final da Copa do Brasil entre Palmeiras e Santos.

"Isso aqui vai virar o Chile", gritavam os estudantes, em referência a série de movimentos de estudantes que ocorreram recentemente naquele país. "Se o povo se unir, o Geraldo (Alckmin) vai cair" era outro grito de guerra. 

Ao menos sete viaturas da Polícia Militar estavam no local. Um dos agentes deu dez minutos para que os bloqueios fossem desfeitos, mas os alunos se recusaram a sair.

"Depois de ocupar escolas, os alunos de escola pública vão fechar as ruas. É simbólico fazer isso em uma área da burguesia, com quem o governo se preocupa", diz Caue, de 16 anos, aluno da Fernão Dias. 

O estudante de Economia, Ricardo Brandão, de 21 anos, teve seu carro impedido de passar e discutiu com os manifestantes. "Sou a favor de protesto, mas não aqui. Tem que ser na porta dos governantes", reclama ele, com ingresso comprado para o jogo da Copa do Brasil. "Aí tem um pessoal que ainda não sabe muita coisa sobre o País. Se eu fosse adolescente, também estaria protestando".

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