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Alunos do ITA fazem paralisação inédita

Em protesto nessa terça-feira, estudantes pediram medição da qualidade dos professores e mais transparência nas avaliações

Bárbara Ferreira Santos e Victor Vieira,

28 Agosto 2013 | 12h35

Atualizado às 18h55.   Os alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) fizeram uma paralisação nessa terça-feira, 27, para pedir melhorias no ensino, no processo avaliativo e na medição da qualidade dos professores. Foi a primeira vez que estudantes fizeram uma paralisação geral na história da instituição. O reitor do ITA, Carlos Américo Pacheco, se reuniu com os alunos no auditório da universidade e disse que reformas deverão ser feitas, mas pediu um prazo para analisá-las. As aulas ocorreram normalmente na manhã desta quarta-feira. 

Segundo o presidente do Centro Acadêmico Santos Dumont (CasD), Marcus Gualberto Ganter de Moura, os alunos estão descontentes com a forma de pontuação e avaliação dos alunos e vão aguardar as respostas da instituição para decidir se farão novas paralisações. "O ITA está com o Programa de Expansão, que prevê a duplicação do número de vagas, além de uma série de inovações. Detectamos falhas no sistema e no modelo atual, queremos corrigir, em conjunto com a administração, o quanto antes. Se não, passaremos de 600 alunos, para 1.200 desmotivados", diz Moura.

Entre as principais reclamações, está a falta de transparência nas avaliações. Os alunos só são informados pelos professores sobre os conceitos (bom, muito bom, regular, insuficiente, entre outros) que tiram em cada avaliação. Ao mesmo tempo, no boletim as notas são numéricas (vão de 0 a 10). Eles afirmam que alguns professores cometem abusos nas avaliações conceituais, pois 50% da nota pode depender apenas da percepção do docente. 

É o caso de Ricardo Furquim, de 20 anos, aluno do 3º ano de Engenharia Aeronáutica. Ele diz que teve a avaliação de um avião negada por um professor e que o docente chegou até a xingar seu trabalho. "Tivemos um impasse burocrático na instituição para que o meu grupo conseguisse uma segunda avaliação. Nós inclusive contratamos um piloto para provar que o avião era capaz de realizar o voo. Foram feitas até manobras que não eram exigidas pela avaliação", afirmou. 

Além disso, os estudantes pedem novas regras no jubilamento de alunos. Hoje, um estudante pode ser desligado, por exemplo, se tiver média abaixo de cinco após fazer recuperação de uma ou mais matérias e até se tiver média inferior a cinco nos bimestres em uma ou mais matérias. Cada vez que um aluno vai a uma recuperação, fica marcado em seu boletim um conceito de "insuficiente". Se ele tiver mais que cinco notas como essa em toda a sua graduação, também pode ser desligado. 

Comissão. O reitor da instituição, Carlos Américo Pacheco, disse ao Estado que o ITA já está analisando as reivindicações dos alunos e que uma comissão foi formada anteriormente à paralisação para analisar as mudanças propostas. Entre as questões que estão sendo discutidas, está a mudança das notas de conceitos para números. "Queremos sim fazer muitas das modificações pedidas pelos alunos, mas temos de analisar a viabilidade delas em um tempo hábil. Muitas conseguiremos fazer a curto prazo e outras apenas a longo prazo." 

Sobre as denúncias de abusos de professores, ele afirmou que a instituição já está analisando os casos e que vai discutir  a melhoria do sistema de avaliação dos docentes. "Vamos ver se a gente consegue encontrar soluções institucionais que levem em conta a autonomia do professor e sabendo também que os docentes têm um regime específico de trabalho com estabilidade."

A assessoria de imprensa do Comando da Aeronáutica informou que a análise das reivindicações dos alunos e eventuais providências serão conduzidas pela reitoria do ITA.

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