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Alunos de Direito da USP fazem manifestação contra professor que defendeu golpe de 1964

Os estudantes invadiram a sala enquanto docente lia 'Continência a 1964', documento de sua autoria

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Paulo Saldaña,
O Estado de S. Paulo

01 Abril 2014 | 14h52

Uma aula em comemoração ao golpe de 1964, realizada na noite de segunda-feira, dia 31, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), motivou um protesto de alunos da graduação da unidade. Vestidos com capuzes pretos e camisas manchadas de vermelho, em alusão à violência da ditadura, alunos ocuparam a sala no momento em que o professor Eduardo Gualazzi lia o discurso intitulado Continência a 1964.

Um vídeo mostra o momento em que a aula foi interrompida. O material já teve mais de 7 mil compartilhamentos pelo Facebook até as 19h20.

Na aula, o professor Gualazzi lia o documento - de sua autoria - em que afirma que "tiranias vermelhas terminaram afogadas no holocausto de sangue humano e corrupção", além de indicar que em 1964 o "socialismo esquerdista totalitarista almejava apoderar-se totalmente do Brasil". Na sequência, jovens entram na sala cantando Opinião, de Zé Ketty, acompanhados de tambores. O professor tenta retirar os capuzes dos alunos, mas depois sai da sala.

A estudante Erica Meireles, do 3º ano de Direito, uma das participantes do ato, diz que o professor Gualazzi já é conhecido na faculdade por se referir ao golpe de 1964 com "revolução". "Ele pode pensar o que quiser, mas não utilizar a cadeira de professor como instrumento para isso", diz ela. "Nossa intervenção se deu de modo artístico, político, não fomos para agredi-lo. Não quisemos expulsá-lo da sala, mas ele não quis debater com a gente."

Gualazzi é professor associado no departamento de Direito do Estado, área de Direito administrativo. Procurado, informou que não iria se pronunciar sobre o episódio.

Atualizado às 19h25

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