Alunos da USP vão de saia às aulas para protestarem em Ribeirão Preto

Manifestação ocorre após aluno da USP Leste ter sido ofendido por usar saias

Rene Moreira / Ribeirão Preto (SP), O Estado de S. Paulo

16 Maio 2013 | 16h26

 

O estudante mais desavisado que foi na manhã desta quinta-feira ao câmpus da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, provavelmente se assustou ao se deparar com alunos da instituição vestidos de saias. O protesto, organizado pelas redes sociais, critica as ofensas recebidas pelo aluno Vitor Pereira, de 20 anos, estudante de moda da USP Leste. Vitor foi às aulas de saia no final de abril, e a partir de então passou a ser alvos de agressões virtuais anônimas.

Em solidariedade ao caso, estudantes da USP em Ribeirão resolveu fazer o mesmo.  O estudante de biologia Ricardo Almeida, por exemplo, resolveu assistir às aulas com uma saia longa.

"É preciso combater qualquer tipo de intolerância. Além disso, descontrai o ambiente", afirma. Ele conta que não costuma usar roupa assim e que fez isso apenas para participar da ação. "É interessante, pois por onde a gente vai sempre tem olhares estranhos a observar o visual", diz Almeida.

Outro estudante da USP de Ribeirão, Rafael Luperini, de 18 anos, foi ainda mais ousado. Ele chegou para estudar nesta quinta (16) com uma saia bem curta. "A intenção é mostrar que cada um usa a roupa que bem entender", diz. De acordo com ele, não é justo "maltratar" as pessoas somente porque estão vestindo algo diferente. Mas, indagado, se vai seguir usando saia, foi claro: "não, apenas hoje para protestar".

A ideia também foi bem recebida pelos outros estudantes, inclusive, por aqueles que mantiveram o visual do dia a dia. Leandro Queiroz, aluno do curso de música, foi estudar de calça e camiseta, o seu habitual, mas garante que não teria problemas em usar uma peça feminina. "Se me sentir bem dessa maneira, visto na hora. Acho uma bobagem reparar uma questão dessas, as pessoas são muito mais do que apenas roupas", comenta Queiroz.

Outra estudante, Lenara Abreu, diz que no geral o pessoal não tem preconceito, mas que até na própria USP existe também quem "torce o nariz" para esse tipo de situação. "Existem estudantes que não se preocupam com as questões sociais. Pelo contrário, são até preconceituosos", fala Lenara

 

Eles estão protestando contra a intolerância e em solidariedade a um estudante que foi alvo de ofensas após usar um "kilt", vestimenta comum na Escócia e que parece uma saia.

O problema foi registrado no campus da Zona Leste de São Paulo e envolveu o aluno Vitor Pereira, de 20 anos, que foi ofendido pela internet após ir às aulas do curso de Moda e Têxtil usando o kilt. Ele diz ter ficado surpreso com a repercussão do caso, mas acha o protesto justo. Ele lembra que no passado não havia diferença de vestuário entre homem e mulher. "A partir da Idade Média é que as roupas passaram a ser diferenciadas pelo gênero", alega.

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