Alunos da USP Leste entregam sacola com terra contaminada ao reitor

Marco Antonio Zago garantiu que está tomando as medidas necessárias para desbloquar o terreno

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2014 | 18h42

Após visita ao câmpus Leste da Universidade de São Paulo (USP) nesta sexta-feira, 21, o reitor da instituição, Marco Antonio Zago, recebeu uma sacola de terra contaminada do local, que está interditado desde janeiro por causa de problemas ambientais. O ato simbólico foi feito por alunos da unidade.

"A demora para resolver a situação da USP Leste é absurda. Queríamos que ele levasse um pouco da terra contaminada do câmpus", disse Bia Michelli, estudante de Pós-Graduação de Sistemas de Informação. Os alunos estão revoltados com a indefinição para o local de retorno das aulas da unidade, previsto para 10 de março.

 

"É difícil encontrar espaço para 5 mil pessoas e levar para o Butantã traz muitos transtornos aos alunos", explicou o reitor. Ao fim da visita, ele foi pressionado pelos estudantes sobre as próximas decisões que seriam tomadas pela reitoria. Zago chegou a pedir opinião aos alunos sobre um local apropriado para a transferência, que manifestaram interesse de continuar na zona leste.

 

Uma das medidas de reparação ambiental citadas na visita é a instalação de pontos de medição da quantidade de gás metano no câmpus, que hoje são 115. Outro ponto destacado é a construção de chaminés de extração de gás na área conhecida como Conjunto Didático, onde há laboratórios de pesquisa. As obras devem terminar até o fim de junho.

 

Riscos. Em uma das áreas onde foi depositada a terra de origem desconhecida, a reitoria colocou tapumes e revestimento de grama, para evitar a dispersão de gases tóxicos. O material, segundo análises recentes da empresa contratada pela USP, contém óleos minerais cancerígenos. A remoção da terra contaminada, conforme revelou o Estado nesta semana, pode custar aproximadamente R$ 20 milhões.

 

O reitor contou que, caso não seja necessária a remoção, alternativas podem ser usadas para eliminar os óleos nocivos à saúde. Uma delas, segundo Zago, é a plantação de vegetais que conseguiriam ajudar na extração das substâncias.

 

"Esses tapumes não resolvem nada. Se houver uma chuva, já estamos em contato com o material tóxico", criticou Adriana Tufaile, professora da USP Leste. Marco Antonio Zago disse que ouvirá a opinião dos especialistas e se dispôs a agendar uma reunião com os alunos da unidade nas próximas semanas.

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