Epitácio Pessoa
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Alunos da universidade itinerante Minerva terão aulas presenciais em 7 países

Objetivo do curso é preparar estudantes para que possam atuar em contexto global

Marina Azaredo, Estadão.edu

17 Dezembro 2013 | 10h36

Juliano Libman está terminando a faculdade de Arquitetura, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. Mas, aos 22 anos, não pensa em parar de estudar. Pelo contrário: ele acaba de se inscrever no processo seletivo da Universidade Minerva, um projeto de universidade itinerante que está com inscrições abertas até 31 de dezembro.

“Sou muito ligado ao empreendedorismo e pensava em fazer uma pós-graduação na área de business depois da faculdade, mas mudei de ideia quando conheci a Minerva”, conta. “Como sempre gostei de morar fora e de conhecer outras culturas, achei que seria uma ótima experiência. Acredito que conhecer outros lugares vai me fazer ter ideias para novos negócios”, completa o estudante, que é um dos sócios da casa noturna Provocateur, em São Paulo.

Juliano vai concorrer a uma das 19 vagas que serão oferecidas no primeiro ano da Minerva. Para os selecionados, as aulas começam no segundo semestre de 2014. Os alunos da turma inaugural não pagarão anuidade. Já a primeira turma efetiva da Minerva deve ter centenas de estudantes de várias partes do mundo e será matriculada no segundo semestre de 2015.

Além de ser “itinerante” – a ideia é que os estudantes morem em pelo menos sete cidades do mundo durante a graduação –, a universidade promete um currículo parecido com os das instituições americanas. Os estudantes terão aulas em quatro cursos básicos no primeiro ano: análise teórica, análise empírica, sistemas complexos de análises e comunicação multimodal, para só então decidirem qual carreira seguir. As aulas da Minerva serão seminários ao vivo, conduzidos por docentes de várias partes do mundo. “Queremos preparar cidadãos inovadores e líderes em uma grande gama de disciplinas, para que atuem em um contexto global”, diz Alex Cobo, diretor da Minerva na América Latina.

A semelhança com instituições dos Estados Unidos não é coincidência. Idealizada pelo economista Ben Nelson, a Minerva conta com nomes de prestígio da academia americana, como Stephen Kosslyn, que dirigiu os departamentos de psicologia e comportamento de Harvard e Stanford, e Larry Summers, ex-presidente da Universidade Harvard e ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos.

Foi justamente o sistema de ensino parecido com o das universidades americanas um dos fatores que chamaram a atenção de Iago Bojczuk, de 20 anos, que também vai concorrer a uma das vagas para a turma inaugural da Minerva. “Depois do ensino médio, fiz alguns meses de Física na USP, mas fiquei um pouco decepcionado. Gosto do como funcionam as universidades americanas, com mais flexibilidade e liberdade na grade curricular”, explica. Aluno de escola pública, ele foi aceito em cinco universidades dos Estados Unidos, mas não conseguiu bolsa integral em nenhuma delas, e viu a Minerva como a chance de ter uma vivência internacional. “Sempre me interessei por outras culturas. A diversidade é o que mais me atrai nesse projeto”, explica.

Global. As cidades pelas quais a Minerva vai passar só serão anunciadas em março, mas os idealizadores afirmam que o Brasil é uma certeza. “O País é chave para a Minerva: é a sexta maior economia do mundo e tem grandes recursos naturais e humanos. Ainda não decidimos em que cidade vamos nos estabelecer, mas podemos dizer que certamente será São Paulo ou Rio. Como uma universidade global, esperamos que nossos estudantes em algum momento trabalhem no Brasil ou com brasileiros”, justifica Cobo.

Por não contar com gastos típicos das universidades tradicionais, como a manutenção de um câmpus, a Minerva terá anuidades menores do que as instituições americanas. O valor da anuidade do curso será de US$ 10 mil, 25% do custo de outras universidades privadas altamente seletivas. Já o gasto total por ano (incluindo livros e materiais, acomodações, serviços acadêmicos e seguro-saúde) é estimado em US$ 28.850.

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