Alunos da Unesp fazem piquete em apoio a colegas da USP

Em Marília, um grupo de 50 estudantes bloqueou o acesso ao câmpus para manifestar solidariedade à greve na USP

Chico Siqueira, Especial para o Estado

09 Novembro 2011 | 22h35

ARAÇATUBA - Cerca de 50 estudantes da Unesp em Marília, a 444 quilômetros de São Paulo, paralisaram as atividades do câmpus nesta quarta-feira, 9, em apoio à greve dos colegas da USP. O ato impediu a entrada de funcionários, professores e dos cerca de 2,7 mil alunos, que não puderam assistir às aulas. Na unidade são oferecidos nove cursos de graduação.

 

O protesto começou de manhã, antes das aulas, quando o grupo de estudantes bloqueou o portão principal da Faculdade de Filosofia e Ciências com pedaços de madeira e outro objetos. Em seguida, armaram uma tenda de plástico onde permaneceram o tempo todo com cartazes com frases de ordem.

 

Mas outro grupo formado por alunos de cursos da área da saúde, que era contra a manifestação, também protestou. Houve bate-boca e gritaria. A Polícia Militar foi chamada por estudantes que queriam entrar no câmpus, mas foi dispensada pela diretoria da faculdade, que temia por um confronto entre estudantes e polícia.

 

Alguns professores e funcionários que apoiavam a causa dos manifestantes puderam entrar no câmpus.

 

Para a estudante de Fonoaudiologia Elaine Cristina Osorio, o grupo foi "truculento". “É um absurdo eles impedirem nosso direito de ir e vir. Fecharam os portões com truculência", disse. Segundo ela, os alunos dos cursos de saúde fizeram assembleias independentes e se posicionaram contra a paralisação. "Não fomos respeitados. Eles (os manifestantes) fizeram uma assembleia já no fim da noite, aproveitando o cansaço dos alunos que estudam o dia inteiro, fora que muitos já tinham ido embora", afirmou.

 

Líderes do movimento dizem que cumpriam apenas a decisão "soberana" da assembleia. "Eles (os alunos que foram impedidos de entrar) deveriam ter ido à assembleia. Se não foram, não podem falar contra agora", disse uma das líderes do movimento, Melane Jorge, estudante de Biblioteconomia. "Nosso protesto é em solidariedade aos colegas da USP. A polícia não pode fazer o que fez nem fora, muito menos dentro de uma universidade pública."

 

Segundo ela, a paralisação foi total, mas as atividades do câmpus devem ser retomadas nesta quinta-feira. "Conseguimos nossos objetivos. Paramos tudo e manifestamos nossa solidariedade contra a repressão protagonizada pela PM na USP."

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