HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Alunos da PUC-SP barram reunião 'surpresa' convocada pela nova reitora

Na mobilização pacífica, os estudantes se deitaram no chão e impediram a realização da 1ª sessão do Conselho Universitário da nova gestão

Davi Lira, de O Estado de S. Paulo,

11 Dezembro 2012 | 11h14

Os alunos grevistas da PUC-SP bloquearam, na manhã desta terça-feira, 11, no câmpus de Perdizes, zona oeste da capital, o acesso à sala onde iria ocorrer uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (Consun) da instituição, a 1º convocada pela nova reitora Anna Cintra. Na mobilização pacífica, os estudantes se deitaram no chão, e ao som de gritos: "não passarão!", impediram a entrada dos conselheiros da universidade que participariam da sessão onde seria debatido a previsão orçamentária para o ano de 2013 e "outros assuntos".

"Somos contra essa reunião. Fomos pegos de surpresa. Não houve o cumprimento do aviso prévio de 48h aos alunos que participam como representantes estudantis", afirma a estudante do 2º período do curso de Letras, Mônia Ramos, de 23 anos.  A aluna, que representaria os estudantes da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes, informou que a reitoria também não havia enviado previamente informações sobre o orçamento, para melhor análise dos presentes à sessão.

"Nós não queríamos que acontecesse a reunião. É um conselho ilegítimo. A reitora em posse está sob suspensão", diz Beatriz Abramides, vice-presidente da Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc). Segundo ela, cerca de 14 conselheiros, chegaram, inclusive, a entrar com um recurso protocolado junto à reitora nesta segunda (10), para inviabilizar o encontro. 

A convocação dos conselheiro para a sessão extraordinária foi feita na última sexta-feira, via e-mail. Na última reunião do conselho, ocorrida em 28 de novembro, um novo encontro já havia sido agendado, mas para esta quarta-feira, 12, e não hoje. Nesta reunião, a nova reitora deveria prestar esclarecimentos quanto ao suposto "desrespeito à tradição democrática" na PUC-SP e haveria a análise do mérito da possível suspensão dos efeitos da liste tríplice, o que poderia vir a suspender à posse da nova reitora.

"No entanto, o Consun que ocorreria amanhã, para analisar a questão, melou. Não haverá mais. Foi por isso que resolvemos nos deitar no chão, em protesto, para ver se eles nos atropelariam também, como fizeram com a decisão da última reunião e das eleições.", disse Cauê Ameni, estudante do 3º período de Ciências Sociais.

Antecipação

De acordo com a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da universidade, o encontro do dia 12 foi antecipado. Na ordem da reunião, no entanto, como o orçamento era o tema de maior destaque, os alunos temiam que Anna - além de não comparecer à reunião -, não se posicionasse diante da comunidade no que diz respeito à sua escolha para o cargo. 

"Ela fingiu que nada está acontecendo e simplesmente convocou uma reunião do conselho, onde seriam discutidos assuntos normais à rotina da faculdade", diz uma aluna, que preferiu não se identificar. Segundo a Fundasp, assuntos acadêmicos e de interesse da instituição também seriam temas de debate na sessão.

Mesmo com a ausência da professora Anna Cintra,  o seu vice-reitor, professor José Eduardo Martinez estava presente para representá-la. Ele, no entanto, distanciou-se do foco das manifestações. Quem ficou mais próximo à porta de entrada da sala onde ocorreria a reunião, e foi alvo de gritos altos de protesto foi a atual pró-reitora de graduação, Maria Margarida Limena. Além dela,  a pró-reitora de pós-graduação da PUC-SP, Maria Amalia Andery, também era uma das conselheiras que aguardavam até as 9h - horário da última chamada -, a realização do encontro.

"Chegamos ao Consun hoje para debatermos questões regulares. Teremos que discutir o orçamento até o final do ano de algum jeito, mas hoje não foi possível. Mas também não tivemos acesso à planilhas das contas para análise prévia", disse Maria Amalia.

Crise

As regras para a escolha do reitor na PUC-SP preveem eleição em que alunos, funcionários e professores votam. Uma lista tríplice segue para o cardeal d. Odilo Scherer, grão-chanceler da universidade, que tem a prerrogativa de selecionar um dos nomes. Tradicionalmente, o primeiro colocado é o escolhido. A nomeação de Anna, em 12 de novembro, entretanto, abriu uma crise na instituição, com alegações de parte da comunidade acadêmica de que a decisão de d. Odilo feriu a “democracia”.

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