Alunos criticam 'discrepâncias' em notas

Estudante alega que houve variação de 200% de 2010 para este ano e vai recorrer de pontuação

LORENA AMAZONAS, ESPECIAL PARA O ESTADÃO.EDU, E PAULO SALDAÑA,

22 Dezembro 2011 | 21h35

Bastaram as notas do Enem serem divulgadas na internet, na quarta-feira (21), para que surgissem candidatos indignados com elas. A reclamação é de incoerências entre as notas e número de acertos e a falta de transparência do modelo de correção da prova, a Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Vestibulando de Direito e já em seu segundo ano de Enem, Lucas Richter, de 19 anos, comparou os resultados deste ano com os de 2010. “As notas de duas áreas tiveram discrepância de 200%, enquanto o número de acertos não foi tão grande. Esperava variação, mas não tão grande. Acho que deve ter um problema”, diz o estudante de Piracicaba, interior de São Paulo.

Richter decidiu entrar com recurso contra a nota. Em Ciências da Natureza e Linguagens, ele teve o mesmo número de acertos, 27. A nota variou 58,3 pontos. “Não sabemos qual a dificuldade das questões, ficamos na mão do MEC.”

A variação de notas que ainda intriga – e deixa indignados – os estudantes acontece porque a TRI permite identificar o que o candidato sabe ou não e também os “chutes”. Exemplo: quando um candidato erra três fáceis e acerta uma difícil, a probabilidade de acaso é maior. Como as questões são divididas em grau de dificuldade, a disposição dos acertos vai determinar a nota.

Matheus Zanatta, de 20 anos, vestibulando de Medicina, reclama das incoerências. “Eu gabaritei em Matemática e Ciências da Natureza, mas, na nota final, obtive 900 e 790 pontos, respectivamente”, diz Zanatta.

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