Aluno faz bagunça e é deixado em rodovia por ônibus escolar

Motorista e professor foram afastados do serviço, em Boituva (SP); Polícia Civil abriu inquérito

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2010 | 11h22

Incomodado com a bagunça que o menino E., de 10 anos, aluno de uma escola municipal de Boituva, a 115 quilômetros da capital  paulista, fazia no ônibus escolar, o motorista Jactan Fioravante parou o coletivo no acostamento de uma rodovia e fez o garoto descer. O professor que  acompanhava os 24 alunos do ensino fundamental nada fez para impedir a ação do motorista. O menino teve de caminhar quase 3 quilômetros para chegar  à escola.

 

O fato ocorreu na terça-feira e ontem a prefeitura abriu um processo disciplinar para apurar a conduta dos dois servidores. Eles foram afastados do  serviço. A mãe da criança, a dona de casa Patrícia Teixeira de Oliveira, pretende processar a prefeitura. “Amanhã vou atrás de um advogado, pois acho que foi  injusto e perigoso o que fizeram com meu filho.”

 

De acordo com Patrícia, o menino ensaiava com outros alunos para uma apresentação natalina. O micro-ônibus os levava do bairro Santa Rita de  Cássia para o local do ensaio, uma escola da cidade. Segundo a mãe, quando o veículo passava numa lombada, as crianças gritavam. “Todas estavam  fazendo bagunça, mas só meu filho foi castigado.”

 

Conforme relato da mãe, o motorista parou no acostamento da SP-129, que liga a cidade a Porto Feliz, e o professor se voltou para o seu filho,  mandando: “Você vai descer. Desce agora e vai a pé para a escola.” O menino teve de percorrer 500 metros pela  beira da pista, atravessar a rodovia e andar mais 2 quilômetros até a escola. “Podia ter acontecido alguma coisa ruim com ele.  E de quem seria a responsabilidade?”, questiona a mãe.

 

Patrícia ficou sabendo do que ocorrera porque outros alunos a avisaram pelo celular. O estudante, segundo ela, está assustado. “Ele não vai  mais participar do coral”, afirma.

 

Outra versão. O secretário de Educação do município, Márcio Pedro Marson, disse ter apurado outra versão. Segundo ele, o  aluno discutiu com o professor e se negava a atendê-lo. “O motorista tomou as dores do professor e fez com que descesse do ônibus.”

 

Ele disse que ambos agiram de forma irresponsável. “Foi inadmissível o que o motorista fez e também a conduta do professor, que se  omitiu.” Com a conclusão do processo, eles podem ser demitidos do serviço público.

 

A Polícia Civil também abriu inquérito para apurar o caso.

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