Aluno do Mackenzie nega boicote a Enade e diz que desempenho fraco de curso era 'bola cantada'

Para Miguel Lima, ex-presidente do diretório acadêmico de Arquitetura, é preciso renovar gestão

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

09 Janeiro 2013 | 20h26

Presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie (Dafam) em 2011, o estudante Miguel Lima nega ter havido boicote "organizado e coletivo" ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) daquele ano. O fraco desempenho dos alunos na prova contribuiu para a nota insatisfatória do curso de Arquitetura da universidade em avaliação do Ministério da Educação (MEC).

 

"A gente até discordava da avaliação, mas eu fiz a prova e boicotei por motivos pessoais", diz Lima, de 25 anos, que deve se formar este ano. Segundo ele, muitos alunos agiram de modo "passional" no Enade porque o Mackenzie não flexibilizou a entrega de trabalhos.

 

"A maior parte caiu na semana seguinte ou próxima ao Enade e os finais de semana são importantes para fazer os projetos, especialmente para quem faz estágio", afirma o estudante. "Eu não ia ficar me matando pelo Mackenzie sendo que a universidade não foi flexível nos prazos."

 

Lima diz que o desempenho ruim da Arquitetura do Mackenzie no Conceito Preliminar de Curso (CPC) referente a 2011 - tirou nota 2 numa escala de 1 a 5 - era uma "bola cantada há muitos anos". "Os alunos esperavam esse resultado não pelo boicote, mas pela qualidade do ensino, que vem se deteriorando."

 

O aluno conta que desde 2010 as gestões do diretório acadêmico vêm mapeando problemas no corpo docente e na infraestrutura - o principal deles é a "superlotação" das salas de aula. A cada semestre o curso abre quatro turmas de 50 estudantes. "A gente tem fotos de alunos fazendo prova no corredor por falta de espaço", diz Lima. "Pagamos R$ 1,8 mil de mensalidade por um serviço e o mínimo que a gente espera é ser bem atendido."

 

Segundo o estudante, que convocou no Facebook uma assembleia para discutir os problemas do curso, até hoje não há laboratórios suficientes para atender a todos os alunos. Em 2011, o Dafam realizou um protesto com cerca de 700 pessoas em frente ao prédio da FAU, no câmpus de Higienópolis, região central de São Paulo, no qual já alertava para as dificuldades enfrentadas pela faculdade.

 

Professores

 

O ex-presidente do Dafam elogia a qualidade do corpo docente e relativiza a importância da titulação. Para o MEC, quanto maior o número de professores com mestrado e doutorado com dedicação exclusiva, melhor.

 

"Arquitetura é uma ciência muito prática. Precisamos de professores com experiência em escritório, e a gente se orgulha muito da maioria dos nossos docentes", afirma Lima. "Nesse ponto a avaliação do CPC é falha. Às vezes um professor que não tem doutorado mas coleciona prêmios pode ensinar melhor."

 

Para o estudante, as melhorias no curso deveriam passar pela renovação da gestão. O professor Valter Caldana é o diretor da FAU desde 2009. "Precisamos de alguém com coragem para administrar a faculdade e que olhe mais pelos alunos e professores. Falta diálogo."

 

O Estadão.edu enviou perguntas por e-mail para Caldana, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Assim que as respostas chegarem, este texto será atualizado.

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