Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Aluna da UFRN ganha 12º Prêmio Santander Jovem Jornalista

Reportagem mostra como trabalho em campo de futebol vem ajudando índios terenas; vencedora ganha bolsa de estudos na Espanha

O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2017 | 04h00

SÃO PAULO - A aluna Marina de Lima Cardoso, de 23 anos, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), venceu nesta sexta-feira, 15, o 12.º Prêmio Santander Jovem Jornalista, promovido em conjunto com a Semana Estado de Jornalismo. A reportagem mostra como o trabalho de uma escolinha de futebol vem ajudando a afastar os jovens terenas da depressão e das drogas

+++ Leia a reportagem vencedora do 12º Prêmio Santander Jovem Jornalista

A estudante vai receber uma bolsa para cursar um semestre letivo na Universidade de Navarra, na Espanha, em 2018. “Foi a realização de um sonho”, diz Marina. O prêmio foi entregue na sede do Santander pela superintendente executiva de Comunicação Externa do banco, Clau Duarte. A cerimônia contou ainda com a participação dos editores executivos do Estado David Friedlander e Alberto Bombig.

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Marina foi escolhida após uma rodada de entrevistas com os finalistas do prêmio, que participaram da Semana Estado em outubro e inscreveram reportagens com o tema Redes em Prol da Sociedade. 

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Todos os universitários ganharam notebooks e terão suas reportagens publicadas neste sábado, 16, no site do Estado. Os demais finalistas são: Bianca Gomes de Carvalho (ESPM/SP), Caroline Lima Cardoso (IBMEC/RJ), Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas (UMC/SP), Natalie Vanz Bettoni Gallego Campos (UFPR) e Renan Tetsuo Omura (UMC/SP). 

 

 

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Futebol ajuda a combater depressão e alcoolismo de jovem índios em MS

Além de ensinar esporte, escolinha promove palestras e procura valorizar a cultura terena; leia a reportagem vencedora do Prêmio Santander

Marina de Lima Cardoso, especial para o Estado

16 Dezembro 2017 | 04h00

É no campo de futebol que índios terenas da Aldeia Limão Verde, a 140 km de Campo Grande (MS), estão enxergando um futuro longe da depressão e do alcoolismo. Desde julho, mais de cem alunos, entre 7 e 17 anos, frequentam o local duas vezes por semana. 

+++ Leia a reportagem vencedora do 11º Prêmio Santander Jovem Jornalista

Além dos treinos, são promovidas rodas de conversas sobre os perigos do consumo de álcool e como combater a depressão. São realizadas, ainda, oficinas de danças tradicionais e língua terena, como forma de valorizar a cultura local.

+++ Leia a reportagem vencedora do 10º Prêmio Santander Jovem Jornalista

A iniciativa é uma expansão de uma escolinha de futebol de Aquidauana, cidade a 24 quilômetros da Limão Verde. “Optamos por abrir um núcleo na casa deles”, conta o treinador Henrique Brites, filho de índios terenas e ex-jogador do Aquidauanense F.C. Ele diz que isso foi necessário porque, pela distância e pela dificuldade de transporte, poucos índios conseguiam ir até a cidade para participar das aulas. 

Ariwalber Silva, de 16, foi um dos primeiros alunos. Ele lembra que, antes das aulas, muitos de seus amigos estavam sendo levados para o “caminho ruim”, por falta de atividade. “Agora, temos mais oportunidades de representar nossa comunidade e fazer com que as pessoas nos conheçam, antes de nos julgar só pela nossa origem.”

Para Matias Peno, missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ações assim são fundamentais diante do cenário de diminuição dos territórios indígenas e da opressão que eles sofrem. Segundo Peno, esses são problemas que fazem as novas gerações se sentirem sem perspectivas. 

A ideia é compartilhada por Fernando Albuquerque, coordenador do Programa de Saúde Mental Indígena da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). “Para mudar a realidade, é preciso aliar saúde pública a projetos de melhoria da qualidade de vida dos indígenas”, avalia. 

Dados do último Mapa da Violência - Jovens do Brasil, de 2014, mostraram que o número de suicídios entre o grupo de indígenas é quatro vezes maior do que a média nacional. Em Mato Grosso do Sul, a situação era ainda mais preocupante. Os índios respondiam por 19% do total dos suicídios na população, porcentual sete vezes maior do que o esperado para sua participação demográfica. Situação que a escolinha espera ajudar a mudar. Pai de dois dos alunos, Ivanildo Orombó afirma que já consegue notar a diferença. “A gente não pode pensar que através do futebol estamos fugindo da nossa cultura. A gente tem de ter orgulho de ser o que somos, onde estivermos.”

Os primeiros frutos começaram a surgir. “Um aluno foi visto durante uma peneira e pode ir para Portugal”, conta o educador físico Wilson Santos. “Mas nosso foco não é formar atleta. É acabar com o ócio e mostrar novas alternativas, que vão muito além do futebol.”

* VENCEDORA DO 12º PRÊMIO SANTANDER JOVEM JORNALISTA, MARINA DE LIMA CARDOSO É ESTUDANTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)

 

 

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ONGs ajudam a amenizar falta de médicos em São Paulo

Voluntários oferecem consultas e exames gratuitos na capital paulista; leia a reportagem finalista do Prêmio Santander

Bianca Gomes de Carvalho, especial para o Estado

16 Dezembro 2017 | 04h00

Há um ano, Suely Santos, de 47, descobriu que estava com câncer de mama. Poderia ter sido em uma unidade do SUS, mas foi no meio de um campo de futebol, durante a campanha Marque esse Gol, iniciativa da ONG Américas Amigas com o grupo Meninas do Peito e a empresária Cristiane Gambaré. Em uma cidade como São Paulo, onde faltam 930 médicos nas unidades de saúde administradas pela Prefeitura, a saída  da população tem sido o atendimento oferecido por redes de  ONGs. Os dados sobre déficit de profissionais foram obtidos via Lei de Acesso à Informação. 

+++ Aluna da UFRN ganha Prêmio Santander Jovem Jornalista

Curada, Suely é uma das voluntárias deste ano do projeto. "Aquilo  me beneficiou e agora é minha vez de ajudar os outros", conta, emocionada. Em uma unidade móvel instalada em estádios de futebol, o Marque esse Gol realiza exames gratuitos de mamografia e ultrassonografia, e encaminha pacientes diagnosticados para tratamento gratuito em hospitais parceiros. Em 2016, foram identificados oito casos. 

+++ Futebol ajuda a combater depressão e alcoolismo de jovem índios em MS

O objetivo da Campanha é fazer um diagnóstico precoce da doença e dar tratamento imediato para as pacientes. "O caminhão do governo faz a mamografia, devolve o exame e manda a paciente marcar consulta. Às vezes, o atendimento demora meses, e a doença pode agravar", explica Nátali de Araújo, de 32, ex-paciente e uma das idealizadoras.

+++ Pelo aplicativo, o auxílio para quem sofre com transtornos de ansiedade

O especialista em gestão de terceiro setor José Alberto Tozzi, de 68, explica que o município não tem competência para gerir tudo e, por isso, iniciativas como essa são importantes. "Eu acho que é fantástico. Poderia ter incentivos por parte do poder público." Ainda segundo as informações pela Lei de Acesso, nas unidades administradas pela Prefeitura há déficit em técnicos de ultrassonografia (faltam 92%) e médicos da área de ginecologia e obstetrícia (67%).

A auxiliar de limpeza Maria José dos Santos, de 47, ficou quatro meses na fila do SUS e não foi chamada. "Queria passar em um clínico e ver se ele me encaminhava para outro médico. Sinto muitas dores nas pernas todos os dias."

A consulta só veio depois, quando ela soube do Instituto Horas da Vida, organização que presta serviço médico gratuito. "Demorou apenas duas semanas para eu ser atendida. O doutor me passou exames e devo voltar em 15 dias." 

Criado em 2013 pelos médicos João Paulo Nogueira e Rubem Ariano, o Instituto Horas da Vida é uma rede de médicos voluntários dispostos a doar horas de consultas para pacientes que não podem pagar.

O projeto funciona em parceria com ONGs de São Paulo e Curitiba. Elas encaminham para o instituto pessoas em situação de vulnerabilidade social que estão na fila de espera do SUS e que possuem renda familiar de até três salários mínimos. 

O projeto conta com uma rede de 1.800 profissionais de 31 especialidades diferentes. Desde sua criação, atendeu cerca de 14 mil pacientes. "Felizmente, as pessoas estão cada vez mais dispostas a esse tipo de trabalho", diz João Paulo. 

* FINALISTA DO 12º PRÊMIO SANTANDER JOVEM JORNALISTA, BIANCA GOMES DE CARVALHO É ESTUDANTE DA ESCOLA SUPERIOR PROPAGANDA E MARKETING (ESPM)

 

 

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Pelo aplicativo, o auxílio para quem sofre com transtornos de ansiedade

Ferramenta Querida Ansiedade já teve 900 mil downloads, inclusive em outros países; leia a reportagem finalista do Prêmio Santander

Caroline Lima Cardoso, especial para o Estado

16 Dezembro 2017 | 04h00

A youtuber Taíssa Rubim, de 29 anos, sempre teve uma vida muito ativa, até adquirir transtorno de ansiedade após sofrer pressões no trabalho. "Por  mais que você corra uma maratona de 10 quilômetros e sinta aquele  cansaço, não é como a fadiga de uma crise de pânico", relata. Nos momentos mais difíceis, Taíssa contava com um apoio adicional: o aplicativo Querida Ansiedade, idealizado para acalmar o usuário durante as crises e promover o autoconhecimento. 

+++ Aluna da UFRN ganha Prêmio Santander Jovem Jornalista

Criada pela psicóloga Camila Wolf, de 34, a ferramenta é gratuita e está disponível para IOS e Android. Ao somar as duas plataformas, já são cerca de 900 mil downloads, com usuários no Brasil, Estados Unidos, França, Japão, Suécia, Inglaterra, Portugal e Austrália. 

+++ ONGs ajudam a amenizar falta de médicos em São Paulo

"Trazer debates sobre saúde mental é tirar a ciência da academia e aplicar no dia-a-dia", diz Camila. "Quanto mais falamos sobre o assunto, de forma clara, respeitosa e ética, mais desmistificamos a ideia de que saúde mental não é importante." 

A psicóloga lembra de uma mensagem que recebeu de uma mulher. "Ela dizia que teve síndrome do pânico em 2005 e que, naquela época em que não havia tanta informação disponível, alguns a chamavam de louca." O transtorno de ansiedade já atinge 9,3% dos brasileiros, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

+++ Combate à intolerância religiosa pode começar pelo celular

A iniciativa digital ajudou Taíssa a superar as crises. Hoje, ela mantém um canal no YouTube com cerca de 5 mil admiradores, no qual trabalha com uma prática de caráter sinestésico para provocar sensações de relaxamento nos ouvintes, a Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano (ASMR, na sigla em inglês). "Queria ser uma representante para os portadores de transtornos de ansiedade, queria falar para a sociedade que a doença existe", afirma a jovem. 

Taíssa integra a ampla rede de youtubers que mostram suas vidas diariamente com um objetivo: encorajar as pessoas que lidam com problemas de ansiedade, pânico e depressão para enfrentarem os desafios da vida. Muitos criadores de conteúdo para a internet trabalham por colaboração, fazendo participações especiais nos canais uns dos outros, para mostrar a importância de procurar ajuda nestes momentos difíceis.

"Os indivíduos precisam de alguém para orientá-los a manter a calma de uma forma correta, técnica e eficaz", diz a jovem. "O ASMR e aplicativos como o Querida Ansiedade conduzem, de uma forma sutil, a pessoa a entrar em um estado de calmaria, em que ocorre a redução da frequência cardíaca e assim a crise vai passando." 

Camila, a criadora do aplicativo, reitera a importância de novas ferramentas e comunidades engajadas na causa. "Acredito que qualquer iniciativa que procure dar bem-estar e aumentar a qualidade de vida das pessoas é válida", afirma a psicóloga. "Ao informar e esclarecer, estamos dando a oportunidade para que a sociedade se conheça melhor, se aceite como é e, quem sabe, parta para mudanças internas."

* FINALISTA DO 12º PRÊMIO SANTANDER JOVEM JORNALISTA, CAROLINE LIMA CARDOSO É ESTUDANTE DO IBMEC

 

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Combate à intolerância religiosa pode começar pelo celular

Aplicativo recém-lançado registra denúncias de agressão e preconceito; leia a reportagem finalista do Prêmio Santander

Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas, especial para o Estado

16 Dezembro 2017 | 04h00

Após acompanhar uma série de ataques a terreiros e a praticantes de religiões de matizes africanas, o candomblecista Leonardo Akin, de 24 anos, decidiu tomar uma iniciativa. Nascia ali o Oro Orum-Axé Eu Respeito, aplicativo que registra denúncias de agressões e de preconceito. "Criei o aplicativo porque não dá mais para ver essa violência e retribuir apenas com mobilizações espalhadas e passeatas", conta Akin. 

+++ Aluna da UFRN ganha Prêmio Santander Jovem Jornalista

Na ferramenta, o usuário encontra informações sobre direitos e leis que garantem liberdade religiosa no País e o combate à discriminação. Além disso, há como fazer o cadastro de casas de matrizes africanas, um botão de SOS, atualmente funcionando apenas no Rio, e o formulário de denúncia. 

+++ ONGs ajudam a amenizar falta de médicos em São Paulo

As vítimas são orientadas a fazer notificações com testemunhas, provas, o máximo de informações sobre o agressor, além de vídeos, fotos e textos. A identidade do denunciante é preservada, por motivos de segurança. "Precisamos de políticas públicas, mas também de segurança para as vítimas denunciarem", disse Akin.

+++ Pelo aplicativo, o auxílio para quem sofre com transtornos de ansiedade

Em 2016, o canal oficial de denúncias, o Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, recebeu 177 notificações de discriminação envolvendo praticantes de religiões de matizes africanas. Isso corresponde a 23% do total das denúncias, porcentual alto, quando se considera que 63% das notificações não determinam a religião da pessoa. Até junho de 2017, foram 66 denúncias. 

Cenário que Akin, o idealizador do aplicativo, quer ajudar a mudar. A inspiração para isso foi o Nós por Nós, criado pelo Fórum da Juventude, para denunciar a violência policial. Akin já entrou em contato com o Ministério Público e com a Defensoria Pública, para que os casos registrados não fiquem impunes. "O intuito é fazer uma rede completa de apoio. Eu não quero que seja apenas mapeado, quero a apuração desses crimes."

Atualmente, o aplicativo soma mais de mil downloads. Gabriela Santos, de 28 anos, é uma das que têm o aplicativo no celular. "Felizmente, nunca precisei usar o recurso de denúncia, mas li sobre os direitos e as leis, o que me ajudou a esclarecer dúvidas."

Formado em Políticas Públicas, Felipe Brito diz que a iniciativa infelizmente não consegue evitar os ataques. Mas tem papel importante ao facilitar as notificações.  "A rapidez da denúncia, é muito importante. Ainda mais, dada a urgência e o grau de violência que tem ocorrido",  diz Brito.  "Este recurso denuncia o quão ausente é o Estado no combate aos crimes de ódio religioso. A iniciativa é legítima, mas parte da vítima, não de quem tem obrigação legal de zelar pela liberdade religiosa."  

* FINALISTA DO 12º PRÊMIO SANTANDER JOVEM JORNALISTA, JHENIFFER APARECIDA CORRÊA FREITAS É ESTUDANTE DA UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES (UMC)

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SoLyra leva arte a escolas para pessoas especiais em Curitiba

Criado em maio, projeto beneficia mais de 600 adultos e crianças, com exibições pelo menos uma vez por semana

Natalie Vanz Bettoni Gallego Campos*, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2017 | 03h00

Amanda Lyra sempre soube que se tornaria cadeirante. Portadora de atrofia muscular espinhal, uma doença que provoca o enfraquecimento progressivo do corpo, ela só não esperava que uma queda, aos 26 anos, pudesse antecipar essa realidade. Amanda teve de adaptar a vida. Foi forçada a parar de se apresentar como cantora, pela falta de acessibilidade dos bares de Curitiba. Mas não desistiu da arte. Em maio, fundou o Projeto SoLyra, na companhia da também artista Jordana Soletti.  

"Eu não tinha nem como subir no palco", relata Amanda. O acesso de pessoas especiais à arte é complicado tanto da perspectiva do artista quanto da plateia. "Há pessoas que saem da cama, vão para a escola e voltam para a cama. Para uma família com alguém especial, a diversão não é prioridade."

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Em pouco tempo, o SoLyra se tornou uma rede de quase cem artistas, que se revezam em apresentações semanais gratuitas em escolas para pessoas especiais. Amanda passa as manhãs organizando o cronograma do projeto - tarefa difícil, pois, de acordo com a cantora, quem vai a uma apresentação quer ir em todas. O músico curitibano André Pulga confirma: "Somos recebidos com muito carinho. Eles são especiais e fazem com que eu me sinta especial também." 

Mais de 600 pessoas são impactadas pelo projeto, entre crianças e adultos. "A musicalidade é como uma terapia", explica a especialista em Educação Especial Inclusiva Marilei Remar. "O rendimento melhora e os dias ficam mais agradáveis, alegres e divertidos." Não são só os alunos que se beneficiam das apresentações. Os funcionários das escolas compartilham com eles o momento de descontração. 

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O SoLyra está se espalhando por Curitiba. "É uma diretora que conversa com a outra, mães e pais de alunos que nos indicam e o projeto vai crescendo", explica Amanda. Por enquanto, 8 das 43 escolas da cidade voltadas para pessoas especiais contam com ao menos uma apresentação do SoLyra por semana, com artistas como músicos e ilusionistas. A repercussão atraiu patrocinadores como o Rotary e a Tagima, empresa produtora de instrumentos musicais, que garantiu às escolas equipamentos  adequados. 

A iniciativa foi abraçada pela prefeitura de Curitiba, que liberou a Praça da Espanha, importante centro de lazer da cidade, para a realização de um show com artistas especiais. É lá que será lançado o Projeto Lyra, que, em conjunto com o curso de Design da Universidade Federal do Paraná (UFPR), busca aprimorar cadeiras de roda. O plano é que, no futuro, acessórios como bandejas e pedestais fiquem disponíveis em plataformas abertas, para que qualquer um possa adquiri-los com baixo custo por meio de uma impressora 3D.  

* Finalista do 12º Prêmio Santander Jovem Jornalista e aluna da Universidade Federal do Paraná (UFPR) 

 

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Nas ruas e na internet, ONG arrecada alimentos para o Alto Tietê

Doações que chegam até de outros países beneficiam orfanatos, asilos e moradores de rua

Renan Tetsuo Omura*, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2017 | 03h00

Após encerrar o expediente de oito horas de trabalho, o faxineiro Emerson Alexandre de Prado, de 39 anos, parte para a próxima jornada. Com uma carriola, ele busca pelos bairros de Suzano, município da Grande São Paulo, doações de alimentos para a ONG Sciences, da qual é o fundador. A luta, no entanto, não para por aí. Do computador de casa, ele pede e recebe ajuda de internautas de diversos países, por meio da página do Facebook que criou para entidade. 

Hoje, a ONG conta com cerca de cem colaboradores e beneficia mais de 500 pessoas, entre os que estão em orfanatos e asilos, e moradores de ruas do Alto Tietê. "Não é fácil. Às vezes, tenho de tirar parte do meu salário de faxineiro, que é de R$ 920", conta Prado. "Mas, no fim, sempre vale a pena."

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A dedicação é a mesma há 26 anos. Prado e um grupo de amigos criaram a entidade em 1991, incentivados por professores do clube de ciências da Escola Leda Fernandez Lopes, no bairro Vila Maria de Maggi, em Suzano - o que explica o nome da ONG. Desde então, o faxineiro adaptou sua rotina para continuar com a ajuda comunitária.

Semanalmente, a organização distribui sopa para moradores de rua e realiza visitas e doações na creche Sociedade de Amparo ao Menor Paulo de Tarso, em Poá, e no asilo São Vicente de Paula, em Suzano. "Quando vamos aos orfanatos, levamos alimentos e brinquedos que eu mesmo construo com caixa de leite. Nos asilos, levamos fraldas e roupas. 

Moradora do bairro Jardim Imperador, em Suzano, Aparecida Massariol, de 85 anos, recebe mensalmente cesta básica da ONG. "É maravilhoso, ele soube usar as ferramentas que ele tem para ajudar o próximo."

Uma dessas ferramentas é, certamente, a rede social. O trabalho de Prado começou a ganhar destaque na internet em 2015, quando ele foi reconhecido na rua por uma cliente do supermercado onde trabalhava. O faxineiro  estava distribuindo alimentos para desabrigados no centro de Suzano. "Ela quis me fotografar, mas não deixei. Logo, o filho dela quis tirar algumas fotos também. Ele era fotógrafo. No começo relutei, mas acabei permitindo", conta. Após alguns dias, as imagens ganharam destaque nas redes sociais.

++ Aluna da UFRN ganha Prêmio Santander

A página da ONG atualmente conta com 2.642 seguidores. Internautas de países como China e Estados Unidos colaboram com recursos financeiros e cartas de apoio. O dinheiro arrecadado é revertido em alimentos, fraldas e roupas. Logo surgiram os convites das emissoras de TV. "No começo, eu não gostava. Recusei alguns convites. Mas depois percebi que essa seria a melhor forma de divulgar o trabalho." 

A ONG agora tem novo projeto, o Cantinho da Leitura, que pretende levar às periferias do Alto Tietê um acervo gratuito de livros. "Não adianta somente matar a fome, temos de levar a educação para as áreas carentes. Assim eles terão mais chances de conseguir uma oportunidade."

* Finalista do 12º Prêmio Santander Jovem Jornalista e aluno da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC)

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Facebook Suzano [SP]

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