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SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Alckmin corta bônus de escolas invadidas

174 unidades tomadas por alunos contrários à reorganização deixaram de fazer o Saresp; docentes ficarão sem benefício

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Luiz Fernando Toledo e Victor Vieira,
O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2015 | 22h07

SÃO PAULO - A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) não pagará bônus em 2016 aos servidores das escolas estaduais ocupadas – o número subiu para 174 nesta quarta-feira, 25. Nessas unidades, não houve ou não foi concluída a aplicação do Saresp, principal avaliação de aprendizagem da rede. A nota dessa prova também é usada para calcular as gratificações dadas a servidores dos colégios que atingem a meta fixada pelo governo.

A Secretaria da Educação do Estado confirmou a decisão. O entendimento é que, sem a nota do exame, não é possível saber se a escola alcançou a meta. A pasta não disse quantos servidores devem ser atingidos pela medida. As escolas ocupadas representam cerca de 3,4% das 5.147 unidades da rede paulista. 

Neste ano, o governo pagou R$ 1 bilhão em bônus a 232 mil servidores da educação estadual. Em 2015, porém, os professores da rede não tiveram reajuste salarial. A secretaria alegou restrições orçamentárias, por causa da crise econômica do País. A reportagem não conseguiu contato na noite desta quarta com a presidência da Apeoesp, maior sindicato dos docentes, nem com a Udemo, sindicato dos diretores.

Protestos. A ocupação de escolas começou há 17 dias, após o governo anunciar o fechamento de 94 colégios – parte de uma reforma da rede. A ideia dessa reorganização, diz a secretaria, é aumentar o número de unidades com apenas um dos três ciclos (ensino fundamental 1, fundamental 2 ou médio). Em 2016, mais 754 escolas passarão a ter ciclo único. Hoje, 1.143 já funcionam nesse modelo. 

Nos últimos dias, manifestantes contrários à reorganização tomaram até escolas que não serão afetadas pela reforma da rede. É o caso da Escola Plínio Negrão, na Vila Cruzeiro, zona sul, ocupada por 40 alunos.

O receio dos estudantes é de que, com o remanejamento de alunos na região, a escola fique com turmas superlotadas. Já a secretaria tem afirmado que não haverá salas cheias após as mudanças. 

Nessa unidade, a ocupação ainda interrompeu uma obra de R$ 1,4 milhão. O reparo começou a ser feito há cerca de um mês e envolvia grande parte das instalações do colégio, como quatro salas de aula e um banheiro. No primeiro dia da ocupação, os pedreiros conseguiram trabalhar, mas houve bate-boca com os alunos após um dos funcionários ter quebrado o cadeado colocado por eles para “proteger’ o colégio de estranhos. Por isso, os operários foram barrados no segundo dia. Parte do colégio ainda está tomada por poeira, cimento e outros materiais.

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