Abono de 28,6% é aprovado pelo Conselho Universitário da USP

Benefício foi sugerido pela Justiça do Trabalho para cobrir as perdas inflacionárias desde maio

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2014 | 17h19

Atualizada às 21h13

SÃO PAULO - O Conselho Universitário, órgão máximo da Universidade de São Paulo (USP), aprovou nesta terça-feira, 16, o pagamento do abono salarial de 28,6% a funcionários e professores. O índice foi sugerido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para cobrir as perdas inflacionárias desde maio, quando começou a negociação do dissídio e a greve na instituição. A paralisação já dura 113 dias.

Docentes e servidores fazem assembleia na quinta-feira para decidir se voltam ao trabalho. No entanto, os grevistas ainda não chegaram a um acordo com a reitoria em relação à reposição das horas não trabalhadas durante a paralisação. O reajuste salarial já havia sido acertado em 5,2% para as categorias. 

A USP foi a última das três universidades públicas paulistas a conceder o abono. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) ofereceram o mesmo valor na semana passada. Na Unicamp, grevistas já voltaram às atividades. Na Unesp, esperam a solução do impasse na USP.

A Comissão de Orçamento e Patrimônio da USP recomendou negar o abono, o que revoltou os grevistas. Segundo a reitoria, até o fim do ano o benefício e o reajuste custarão mais R$ 124,5 milhões à universidade, que usa suas reservas para pagar as contas. Nos próximos meses, o comprometimento da receita com salários deve superar o atual patamar, de 105%.

A maioria dos conselheiros, porém, não seguiu a indicação da comissão, que defendia a necessidade de outros cortes para dar o benefício. O placar foi de 64 votos a favor do abono, 33 contra e duas abstenções. O pagamento será feito após o fim da greve. 

Protesto. Cerca de 250 manifestantes fizeram ato na tarde desta terça-feira na frente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), onde se reuniu o conselho, no câmpus Butantã, zona oeste da capital. O principal alvo das críticas dos grevistas era o reitor Marco Antonio Zago, acusado de intransigente.

“Para mim, era importante que o Conselho (Universitário) tivesse todas as informações para decidir”, afirmou Zago. Segundo ele, apesar das críticas, não houve erros da reitoria ao conduzir a greve. “A judicialização não nos prejudicou, mas trouxe os sindicatos para negociar. Antes eles se negavam”, disse. As entidades afirmam que sempre estiveram dispostas a dialogar. A greve foi iniciada em maio, quando a reitoria propôs congelar os salários.

Impasse. A reposição das horas paradas ainda é um dos pontos de divergência. “Queremos apenas resolver o serviço acumulado e não trabalhar todas as horas do período de greve”, disse Neli Wada, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). Para ela, repor todas as horas é um “castigo”. 

A reitoria quer que a compensação seja feita nos próximos meses. Nesta terça, sindicalistas se reuniram com representantes da administração, mas sem sucesso. Outro pedido é que a reitoria não retome processos administrativos contra grevistas. 

Os grupos voltam a discutir o tema na tarde desta quarta-feira, 17, quando também haverá audiência de conciliação entre USP e grevistas no TRT para negociar o fim da paralisação.

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