Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

‘A sociedade paulista está farta de invasões’, diz reitor da USP

Para João Grandino Rodas, a imagem da universidade saiu ‘depreciada’ depois da ocupação do prédio administrativo do câmpus

Carlos Lordelo, Estadão.edu

10 Novembro 2011 | 00h15

O reitor da USP, João Grandino Rodas, esteve nesta quarta-feira, 9, no prédio da administração central, na Cidade Universitária. Em entrevista por e-mail ao Estadão.edu, ele diz que a situação do local é “deprimente”. Mas Rodas vai esperar a conclusão do trabalho da polícia para formar comissões que indicarão que medidas tomar com o grupo de invasores - há possibilidade de abertura de processos administrativos e disciplinares.

 

O sr. esteve hoje (quarta-feira) na reitoria? Houve danos à sua sala?

 

Meu gabinete estava fechado e não foi invadido. A situação é deprimente, em virtude da destruição e das pichações. O que mais me chamou a atenção foram coquetéis molotov e reservatórios com gasolina (apresentados pela PM). Isso não é indício da boa intenção dos grupos responsáveis nem de bom prognóstico para o futuro!

 

O que o sr. achou do trabalho da polícia?

 

A PM ingressou desarmada no prédio e, em minutos, retirou os invasores incólumes, tendo toda a operação sido filmada. Meu parecer de leigo é que cumpriu seu múnus (papel).

 

O que a reitoria vai fazer em relação a quem ocupou o prédio?

 

Após o recebimento das documentações acerca dos fatos e dos prejuízos causados, que estão sendo finalizados pela perícia técnica, serão formadas comissões para estudar toda a questão e indicar o que fazer para que a lei seja cumprida.

 

Qual a sua opinião sobre a greve dos alunos?

 

É difícil fazer exercício de futurologia. Não é a primeira greve nem a última na USP.

 

Nas negociações com os invasores, a universidade se comprometeu a montar um grupo de trabalho para fazer o detalhamento dos termos do convênio com a PM, caso eles deixassem o prédio no prazo estabelecido pela Justiça. Como isso será feito a partir de agora? A reitoria vai analisar o acordo por conta própria?

 

Continuará a ser feito sob a égide do Conselho Gestor do Câmpus e com a participação de alunos, funcionários e professores que desejem participar, além de organismos afeitos à área.

 

De que forma a invasão da reitoria afeta a imagem da USP?

 

O que chamou a minha atenção é que o grupo invasor violou até mesmo regra dos próprios movimentos estudantis. Inconformado por perder em votação de assembleia (na qual foi deliberada a desocupação do prédio administrativo da FFLCH), mesmo assim levou a cabo seus intentos! Quanto à imagem da universidade, ela é sempre depreciada por ações desse naipe. É digno de nota a USP estar bem situada nos rankings internacionais, apesar de sofrer ataques como o atual há anos.

 

Esta foi a terceira vez que ocuparam a reitoria da USP desde 2007. O sr. estuda medidas para melhorar a segurança do prédio para evitar novas invasões?

 

A segurança do prédio ocupado era razoável, tanto nos equipamentos, quanto na guarda. Não considero que a universidade deva ter prédios de segurança máxima para seus órgãos centrais por não se tratar de cadeia e, também, por não haver prédios inexpugnáveis (que não podem ser conquistados).

 

A polícia vai investigar a ligação dos alunos com partidos políticos. O sr. vê uma ação orquestrada de partidos para desgastar sua gestão e a imagem do governador Geraldo Alckmin?

 

A ligação desses grupos com micropartidos, com ideologia radical, é óbvia. O desgaste das instituições, quer universitárias, quer governamentais faz parte do “quanto pior melhor” e da “teoria da terra arrasada”.

 

O sr. se notabilizou como alguém que enfrenta resistências, não foge ao debate na defesa do que considera correto para a uiniversidade. Mas hoje (quarta-feira), por exemplo, o articulista José Nêumanne, do 'Estado’, acusou-o de fraqueza no episódio da ocupação da reitoria. O que o sr. acha de críticos que viram falta de pulso na condução da crise?

 

Quando a reitoria foi invadida, tomei as providências legais devidas, entre as quais figura a tentativa de negociação, dentro dos parâmetros legais possíveis. Não houve fraqueza no episódio. Entretanto, entendo a posição do jornalista Nêumanne, que, como toda a sociedade paulista, está farta dessa repetição anual de invasões na USP, que tanto custa em dinheiro público, em desgaste de imagem e em perda irrecuperável de tempo precioso.

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