'A reitoria estava nos engabelando', diz diretor da Faculdade de Direito

O diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Antonio Magalhães Gomes Filho, diz não entender os motivos que levaram a reitoria da USP a criticar sua gestão em boletim especial divulgado na semana passada.

Carlos Lordelo, Estadão.edu

26 Setembro 2011 | 20h03

 

No comunicado, a reitoria acusa Magalhães de não dar andamento a projetos da administração anterior – do professor João Grandino Rodas, atual reitor da universidade.

 

“Ele (Rodas) me convidou para ser vice dele à frente da São Francisco. Nunca discordamos. Ele teve nosso apoio durante a campanha para a reitoria. Fiquei seis meses praticamente em tempo integral aqui na faculdade enquanto ele fazia campanha”, diz Magalhães.

 

O professor contesta a afirmação de que a faculdade ficou entre as unidades da USP que gastaram a menor parte de seu orçamento. “Ele (o boletim) dá a entender que nós temos dinheiro, mas não gastamos. Não é bem assim. O orçamento tem definições específicas. Não posso pegar dinheiro para a segurança e reformar a biblioteca.”

 

Sobre a reforma da biblioteca localizada em prédio anexo à São Francisco, no centro da capital, Magalhães diz que pede recursos para as obras desde a mudança dos livros, no ano passado, mas a reitoria o “ignora”. “Depois de tantas reuniões e promessas, mandei um ofício para o professor (Antonio) Massola (superintendente do espaço físico da USP) em julho e só agora foi aberto o processo. A reitoria estava nos engabelando.”

 

O diretor também explica porque não está aproveitando o espaço de uma casa na Avenida Brigadeiro Luís Antônio para atividades acadêmicas. “Ele (Rodas) queria fazer um acordo com a Prefeitura. Eles cediam a casa e a gente teria de dar cursos aos procuradores municipais. Mas a faculdade não pode abrir cursos fechados. Precisam ser abertos ao público, com acesso mediante prova de admissão”, justifica.

 

Magalhães ressalta que o convênio não poderia ser assinado, de acordo com o próprio estatuto da universidade. “Pedi um parecer da Comissão de Cultura e Extensão e eles me deram oficialmente a resposta de que não poderia fazer esses cursos fechados.”

 

Panfletagem

 

Segundo o diretor, no dia seguinte à publicação do boletim especial havia “pessoas estranhas à faculdade” distribuindo o comunicado na porta da São Francisco. “Nunca vi esse tipo de panfletagem”, diz.

 

Magalhães sustenta que, se ele não dá continuidade aos projetos de Rodas, tampouco faz o reitor em relação às iniciativas da antiga gestão da USP. “A universidade não está dando continuidade àquele projeto monstruoso de transferir o MAC (Museu de Arte Contemporânea) para o Parque do Ibirapuera por uma briga do reitor com o (Centro Acadêmico) XI de Agosto.”

 

A Prefeitura reformou a antiga sede do Detran no parque para receber o museu. Mas o reitor quer que a universidade divida o custo de manutenção do espaço com a secretaria estadual da Cultura. Rodas também tem manifestado posição contrária à construção do Clube das Arcadas em terreno ao lado do MAC, por acreditar que o empreendimento pode atrapalhar o museu.

 

“A crítica do reitor é pessoal porque tenho uma atuação independente. Meu mandato foi conferido pela Congregação (instância máxima da faculdade) e não vou simplesmente baixar a cabeça para a reitoria”, completa o diretor da São Francisco.

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