Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

'A essência do ambiente inovador é que as pessoas colaboram'

Para o 'Sr. Criatividade', inovação não é um desejo ou talento, mas uma capacidade a ser aprimorada

Entrevista com

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2014 | 02h05

Hoje há escassez de inovação no mundo? E o Brasil, um país jovem, está atrás nesse cenário?

Há 30 anos, venho ao Brasil e tenho visto que o povo brasileiro é muito criativo. Mas acho que o sistema social é muito rígido e isso reflete no estilo de organização dos estabelecimentos de ensino. Como o sistema de educação é todo controlado pelo governo, é muito difícil e demorado para mudar - e os incentivos para ficar da mesma forma são maiores. Educação tem de ser revolucionária. O sistema de educação tem de estar alinhado com o que a sociedade exige. Eu sinto sempre, não só no Brasil, mas no mundo, que a tragédia da educação é que estamos preparando as pessoas para um mundo que não existe mais, que é do passado.

É possível ensinar inovação, criatividade e empreendedorismo para crianças?

É sim, mas acho que para crianças mais novas o desafio é não pressionar demais ao ensinar isso. Todo mundo é criativo. Parte do trabalho em educação é não podar a criatividade e também fortalecê-la, como um músculo mesmo. Inovação não é um desejo ou um talento, é uma capacidade que pode ser aprimorada. E é algo que não é ensinado nas escolas hoje, mas constantemente exigido no século 21.

Há uma idade ideal para ensinar isso?

Não, mas desenvolvemos um currículo que se adapta da 6.ª série ao 1.º ano do ensino médio. Eu diria que ensinar inovação não é uma coisa mecânica. O que acreditamos é que criatividade existe nas pessoas de qualquer jeito, mas é algo bloqueado mais e mais enquanto elas crescem porque a sociedade quer que as pessoas se conformem, exige que sejam feitos cada vez mais trabalhos que não são criativos.

Mas ensinar empreendedorismo e competição tão cedo não pode fazer da escola um ambiente agressivo?

Nós acreditamos na colaboração. Eu não acho que há razão para encorajar competições agressivas ou ideias como "eu sou melhor que você" ou "eu sou vencedor e você é um perdedor". A essência de um ambiente inovador é que as pessoas colaboram e elas têm valor nas suas diferenças.

Como os professores podem ensinar inovação de uma forma prazerosa para as crianças?

Não é para transformar as crianças em adultos ou transformá-las em intelectuais. Isso tem de ser aplicado de forma amigável, tranquila, com situações que os alunos vivem no dia a dia.

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