A conexão SP do novo Big Bang

Equipe recebe online em câmpus da Unesp dados de colisões de partículas na Suíça, que podem desvendar a origem do universo

Carolina Stanisci , Especial para o Estadão.edu

27 Abril 2010 | 10h50

O mundo da física entrou em contagem regressiva depois da primeira colisão bem-sucedida de prótons no Grande Acelerador de Partículas do Cern, laboratório da Suíça, em 30 de março. O experimento se propõe a recriar condições parecidas com as do momento pós-Big Bang. Com isso, espera-se, em uma década, desvendar do que, afinal, é feito o universo.

 

Em rede com milhares de físicos do mundo todo, 14 pesquisadores trabalham no câmpus da Unesp da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, analisando o que acontece no CMS, um dos quatro detectores do acelerador. São professores universitários, doutorandos e pós-doutorandos que passam o dia diante do computador recebendo dados sobre colisões de feixes de prótons, capazes de gerar milhares de partículas.

 

 

Os físicos do Sprace (sigla em inglês para Centro Regional de Análise de São Paulo) participam do dia a dia do experimento, checando se os 75 milhões de sensores do CMS estão funcionando corretamente. Mas o trabalho mais interessante para eles é interpretar os dados sobre as partículas criadas pelo choque de prótons. Um dos objetivos é comprovar a existência de uma partícula, o bóson de Higgs (veja ao lado).

 

 

"É muito atraente lidar com um assunto que mexe tanto com o ser humano, saber do que o mundo é feito", conta Franciole Marinho, de 28 anos, que faz pós-doutorado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), financiadora do Sprace. "Espero grandes descobertas, que tudo que a gente sabe hoje seja jogado por água abaixo", diz o caçula do Sprace, Thiago Tomei, de 26, doutorando da Unesp que já esteve no Cern.

 

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