A aposta nos alunos sem grife

Distantes das escolas de elite, eles levam garra e diversidade a empresas

Carolina Stanisci,

22 Agosto 2010 | 01h05

Até pouco tempo atrás, ter cursado uma faculdade top de linha era garantia de portas abertas para um estágio nas grandes empresas do País. Essas companhias, porém, têm percebido que a energia e o comprometimento de candidatos vindos de universidades menos consagradas no mundo acadêmico valem tanto ou mais que um diploma de peso.

 

Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Leyla Nascimento, a mudança ocorreu porque a preocupação no recrutamento de estagiários tem focado as competências do candidato. “A formação acadêmica não garante mais que terei um bom candidato. Existem etapas de seleção mais eficazes, como a dinâmica de grupo e a entrevista individual. Hoje, muito mais do que olhar a universidade de onde vem o candidato, é importante olhar para ele.”

 

A superintendente do RH do Banco Santander, Paula Giannetti, endossa a opinião de Leyla – e vai além. “Percebemos que quem vem de faculdades de segunda linha dá o sangue para conseguir um lugar ao sol. Para eles, o estágio não é mais uma etapa no aprendizado; eles querem virar empregados do banco, chegam com uma energia diferenciada.” Para Paula, a proatividade e a busca por desafios são mais importantes do que uma eventual formação técnica “menor”. “Isso já os diferencia.”

No Citibank, o discurso é parecido. “Desde 2008, trabalhamos no sentido de abrir as inscrições para todas as faculdades e para todos os cursos”, afirma Andrea Ikawa, gerente de Seleção da instituição. “Vamos ter pessoas com pensamentos diferentes, e isso só enriquece. Nós acreditamos na diversidade.”

 

 A estudante de Administração de Empresas da Zumbi dos Palmares Vanessa Santos   Antonio (ao lado), de 20 anos, tem as características mencionadas por Paula e Andrea. Conquistou uma vaga de estagiária na área de RH do Bradesco em 2008 e foi efetivada este ano. “Além da vontade de trabalhar, trouxe para cá minha bagagem cultural, que é diferente.”

 

 Percebendo a mudança de visão das empresas, o reitor da Zumbi dos Palmares, José Vicente, procurou vários bancos nos últimos anos para firmar convênios de estágios, num “movimento de sensibilização”. Hoje 250 alunos da instituição fazem estágios em bancos. Mas ele credita ao empresariado o mérito de receber pessoas de todas as origens sociais e raciais: “O discurso da responsabilidade social ganhou visibilidade. E as empresas têm colocado isso em prática”.

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