55 mulheres escreveram relatos 'contundentes' de violência no Enem

MEC vai publicar, em seu portal, orientações para que elas possam procurar o Ligue 180; redação abordou violência contra a mulher

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2016 | 17h11

BRASÍLIA - Das mulheres que escreveram a redação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) em 2014, 55 deram “depoimentos contundentes” sobre o tema violência contra a mulher – como vítimas ou como testemunhas. O Ministério da Educação vai publicar, em seu portal, orientações para que elas tomem a iniciativa de procurar o Ligue 180, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.

“Como temos o compromisso do sigilo, queremos evitar o contato direto com as mulheres que relataram preocupantes situações de estupro e violência, principalmente porque o agressor pode ser uma pessoa muito próxima”, disse o ministro Aloizio Mercadante. “Por isso, as recomendações serão divulgadas publicamente.”

Segundo ele, o tema foi importante não só por levar mais de 5,8 milhões de participantes a refletirem sobre a violência contra a mulher, mas para reforçar o combate a essa prática – que, só no ano passado, resultou em 634.862 denúncias ao Ligue 180. Apenas 104 candidatos obtiveram nota máxima – 1.000 – no texto, enquanto 53 mil receberam zero (não incluídos os que não compareceram ao segundo dia de provas ou, por algum motivo, como falta de tempo, não elaboraram a redação).

Em 2014, 529.373 zeraram a redação. A comparação não é possível, porém, porque este foi o primeiro ano em que os anos que deixaram a redação em branco não foram “zerados”.

Houve uma maior concentração de candidatos na faixa de nota entre 501 e 600 pontos, um desempenho considerado “satisfatório”, segundo o ministro Mercadante. O grupo que tirou entre 901 e 999 aumentou em relação à edição anterior. Em 2015, foram 47.770, enquanto em 2014 foram 35.719. 

Sisu. Até as 16 horas desta segunda-feira, 11, primeiro dia de inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), 974.151 pessoas haviam se inscrito para concorrer às 228.071 vagas disponíveis em 131 instituições. De 2014 para 2015, houve um crescimento de 12,3% em relação ao número de cursos incluídos. O porcentual é de 379% quando comparado a 2010, primeiro ano do Sisu.

O prazo final de aplicação no Sisu é quinta-feira. Candidatos que não zeraram a redação podem escolher até duas alternativas de vagas. A partir de hoje, as notas de corte serão calculadas e divulgadas sempre ao fim de cada dia, podendo o aluno alterar as opções quantas vezes quiser. O resultado sai no dia 18.

Nesta segunda, estudantes ainda relatavam problemas no sistema de divulgação de notas, sobretudo sabatistas – que guardam o sábado por motivos religiosos – e os com déficit de atenção. No site, a mensagem é de que o resultado está em “auditoria”. “Sou sabatista e só vim receber meu resultado 20 minutos após a abertura do Sisu, às 8h. Amigos meus até agora ainda não sabem a nota. Estou indignado”, disse o estudante Isac Caires de Sá. O MEC alega que os problemas são pontuais e a equipe trabalha na resolução.

Desempenho geral só melhora em Ciências Humanas

Analisando as notas gerais do Exame Nacional do Ensino Médio, houve queda de desempenho em três das quatro provas objetivas e redução no número de redações nota mil, em relação ao ano anterior. Só a média final de Ciências Humanas superou a do ano passado.

Entretanto, também foi a prova que teve o melhor desempenho em Matemática. Pela primeira vez, 13 participantes tiraram 1.008,3, conforme a divulgação feita pelo Ministério da Educação (MEC).

Em 2015, as médias nas provas do Enem foram 558,1 em Ciências Humanas; 478,8 em Ciências da Natureza; 505,3 em Linguagens e Códigos; e 467,9 em Matemática. Em 2014, as médias foram 546,5 em Ciências Humanas; 482,2 em Ciências da Natureza; 507,9 em Linguagens e Códigos; e 473,5 na área de Matemática. Indagado, Mercadante disse que o dado não é relevante porque “ao longo da história” de aplicações de exames há oscilações. Para ele, não se trata de “uma tendência”.  / COLABOROU VICTOR VIEIRA

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