4 em cada 10 passam na Fuvest sem cursinho

4 em cada 10 passam na Fuvest sem cursinho

A primeira fase do vestibular, no domingo, terá 141.888 inscritos, 17,6% a menos que em 2013, que disputarão 11.177 vagas;

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

29 Novembro 2014 | 16h35

Quatro em cada dez aprovados na Fuvest, exame para ingressar na Universidade de São Paulo (USP) passaram sem nunca ter feito curso pré-vestibular. Há dez anos, a média era de três aprovados, a cada dez, sem cursinho. 

A primeira fase do vestibular, neste domingo, terá 141.888 inscritos, 17,6% a menos que em 2013, que disputarão 11.177 vagas. Nesta etapa, há prova com 90 testes de múltipla escolha.

Em 2013, 4.259 (38,3%) estudantes passaram na Fuvest sem cursinho, entre 11.111 aprovados. No entanto, 1.230 alunos (11,1%) frequentaram esse tipo de aula por seis meses, 3.745 (33,7%), por um ano, e 1.877 (16,9%), por dois anos ou mais. 

No curso de Medicina, que em 2013 teve 62,91 concorrentes por vaga em Ribeirão Preto e 58,57 na capital (índices mais altos da Fuvest), 33,2% dos aprovados fizeram pelo menos dois anos de cursinho. Outros 27,6% precisaram de mais de dois anos de preparação e 13,8% passaram direto. Os dados integram o questionário de avaliação socioeconômica da Fuvest. 

Direto. Estudante de Engenharia de Produção da Poli, André Bina, de 23 anos, ficou em 10.º lugar na Fuvest. Sem nunca ter feito cursinho, ele diz que o segredo é o estudo constante. “Fiz um colégio muito bom, com prova de terça a sexta.” Segundo Bina, o ritmo ajudava a identificar suas dificuldades. “Você deve conhecer a prova e também a si mesmo.”

Heloísa Bianquini, de 18 anos, conseguiu uma vaga em Direito sem cursinho. Ela conta que fez muitas provas da Fuvest antes de encarar o vestibular para valer. “Dei preferência para resolver questões discursivas, pois não é possível chutar ou acertá-las por eliminatória". Além da USP, Heloísa foi aprovada em primeiro lugar no curso de direito da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Heloísa veio do Paraná para estudar na USP. Foto: Arquivo pessoal

Segundo o estudante de Engenharia Civil da Poli Vitor Margato, de 22 anos, a qualidade do colégio foi importante para que ele “pulasse” o cursinho. O aluno estudou em uma escola particular com foco em vestibulares e que oferecia atividades extracurriculares. Ele também cursa Engenharia de Transportes na École Nationale des Ponts et Chaussées, na França.

Para os candidatos, Margato sugere controlar o tempo de realização da prova e deixar alguns minutos para uma revisão, antes de preencher o gabarito.

Segundo o diretor executivo da Fuvest, Antonio Evaldo Comune, quem tem melhor preparação passa no vestibular logo na primeira tentativa. “Outras (pessoas) vão ter de insistir uma, duas, até três vezes.”

Cursinho. O candidato Eduardo Maratea Bozzo, de 19 anos, está no segundo ano das aulas preparatórias e tentará entrar na faculdade de medicina pela terceira vez. Na última edição, esteve próximo da aprovação. "Faltou pouco para passar. É mais uma questão de não estar familiarizado com o processo", disse. O esforço pela vaga toma metade do dia do rapaz - são 12 horas diárias de estudo. "E eventualmente, aos sábados, estudo cerca de seis horas".

 A opção pela área veio de uma conversa na família, já que o jovem, até o final do ensino médio, não sabia que carreira seguir. "Não tinha muito interesse em nenhuma carreira em especial. Conversando com meus pais, e principalmente com meu avô, vi que era medicina o que eu queria". Bozzo quer ser o primeiro médico da família. "Esse ano estou bem confiante, bem preparado". 

Exame. Os portões ficarão abertos das 12h30 às 13 horas. Na primeira fase, os candidatos poderão deixar a sala a partir das 16 horas. A divulgação da lista de convocados e dos locais de prova da segunda fase será em 22 de dezembro. A etapa seguinte será realizada entre 4 e 6 de janeiro.

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