TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Escolas particulares apoiam tutoria voluntária

Proposta permite a aluno conhecer rotina de professor, além de estimular organização, pesquisa, ação social e troca de experiências

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2015 | 19h38

SÃO PAULO - Colégios particulares de São Paulo estão incentivando alunos a participar de tutorias voluntárias, para melhorar o desempenho nas disciplinas e o desenvolvimento pessoal. A proposta não se resume a repassar o conhecimento, mas também aprender a organizar-se, trocar experiências e aprofundar a pesquisa de conteúdos.

No Colégio Bandeirantes, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, quatro estudantes do 3.º ano do ensino médio criaram neste ano um programa de tutoria aos sábados para alunos da Escola Estadual Fabiano Lozano Maestro, no mesmo bairro.

Durante um ano, Amanda Sanches, Caio Oliveira, Gabriel Saruhashi e André Benites planejaram as aulas com auxílio dos professores da unidade e da diretora, além de dois professores do Bandeirantes. O ensino é voltado a estudantes do 7.º e do 8.º ano e tem enfoque em Matemática. A ideia é incluir mais disciplinas no futuro. 

“O estilo da aula é bem diferente. Tentamos fazer algo flexível. Mostramos como estudar a Geometria com origami e com papelão”, contou Caio, de 17 anos. De acordo com ele, as aulas de reforço ajudaram a entender o outro lado da educação – o de quem ensina. “E me ensinou a ser mais paciente e compreensivo com os outros”, disse o adolescente.

“Também ajudou a me colocar no papel do professor. Isso faz a gente entender as dificuldades que eles têm”, acrescentou.

Plantão. A iniciativa conta com apoio de dois docentes, que coordenam o projeto e orientam os alunos a produzirem relatórios sobre as classes. As atividades não devem atrapalhar a rotina de estudos do colégio. “Mesmo com outros trabalhos, eles nunca deixam a vida acadêmica”, explicou a coordenadora de trabalhos voluntários, Sandra Brait.

Além do reforço, os estudantes do Bandeirantes também fazem uma espécie de plantão de dúvidas na própria escola estadual, em aulas de Português, História e Matemática. Seis alunos do colégio atuam como voluntários na unidade por dia. O programa teve tanta adesão que já foi criado até um processo seletivo para escolher novos voluntários. 

Idades diferentes. A Escola Móbile, em Moema, na zona sul, decidiu aliar ação comunitária e monitorias. Foi criado, em 2013, um projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para funcionários do colégio e comunidade local. São oferecidos dois cursos, ambos realizados por alunos da Móbile: Informática e Inglês.

Às segundas e às quartas-feiras, as turmas se reúnem no colégio e são assistidas por um grupo de alunos monitores. Os trabalhos, bem como o conteúdo das aulas e o material pedagógico, têm supervisão de coordenadores dos ensinos médio e fundamental.

O estudante do 2.º ano do ensino médio Pedro Sant’anna, de 16 anos, começou como monitor de Inglês em 2014. Com a saída de um ex-aluno, que era o professor, ele assumiu a disciplina em um dos dias, desde o começo deste ano. “Eu percebi que gosto muito de ensinar”, comentou. O jovem dedica pelo menos três horas semanais ao projeto, divididas entre as aulas e a preparação dos conteúdos.

O estudante contou que as aulas têm servido para a troca de experiências. “São adultos de várias idades, de realidades diferentes. Tem o pessoal mais velho, de 60 ou 70 anos. Eles sempre chegam com uma história nova. Eu aprendo bastante com eles”, disse.

“Estou ajudando alguém e também me ajudo. Adoro planejar a aula e vejo que aprendo mais quando falo inglês. Acabo tirando minhas dúvidas”, comentou Alice Leite Grinbaum, de 15 anos, estudante do 1.º ano do ensino médio. Além de participar da atividade de monitoria, ela também dá aulas de inglês em uma ONG para outro projeto do colégio.

Segundo Antonio Corte, vice-diretor do ensino fundamental 2 (5.º ao 9.º ano) do Móbile, o processo desenvolve a responsabilidade e enriquece o aprendizado dos alunos. “Eles estão exercendo um papel bastante significativo, que é o de gestor de uma classe”, destacou. “Precisam dar conta de um grupo, preparar as aulas, o material e organizar o tempo de trabalho.”

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