Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

‘Enem dos EUA’ tem mudanças em 2016

Um dos principais exames para ingresso em universidades americanas, SAT é o mais procurado por brasileiros

Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2016 | 07h25

SÃO PAULO - Se vestibular já é difícil, imagine encarar uma prova de seleção em outro idioma. Cada vez mais brasileiros topam esse desafio atrás do sonho de fazer graduação nos Estados Unidos. O Scholastic Aptitude Test (SAT) é um dos principais exames usados por universidades americanas para escolher candidatos. Neste ano, o SAT terá mudanças de formato.

No último ano letivo dos Estados Unidos, entre 2014 e 2015, foram 3.934 brasileiros inscritos no SAT, 77% a mais do que os 2.225 que fizeram o exame entre 2010 e 2011. A nota é adotada como critério de seleção com outros componentes, como histórico acadêmico, cartas de recomendação e perfil do candidato. O SAT cobra leitura, escrita e matemática, sempre em inglês.

Alunos que pretendem tentar esse “Enem americano” nos próximos meses devem ficar atentos às alterações no formato do teste. Entre as mudanças, estão uma nova contagem de pontos e o fim da punição antichute. Antes, a cada quatro questões erradas, uma certa era anulada.

Já a redação deixa de ser obrigatória. “Mesmo sendo opcional, o aluno deve fazer. Muitas universidades vão usar a redação como um filtro de seleção”, explica Carolina Lyrio, consultora da Fundação Estudar. “O jeito de se preparar para a prova continua bem parecido com o que era”, afirma.

André Medeiros, de 17 anos, gostou das mudanças. “A prova fica mais amigável. Quem optar pela redação terá mais tempo do que no formato antigo, por exemplo”, diz o aluno do 3.º ano do ensino médio do Colégio Bandeirantes, na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo.

O adolescente pretende cursar Engenharia na Califórnia. Ele já fez o SAT duas vezes, mas vai prestar o exame de novo no meio do ano, o que não significa que seu desempenho tenha sido fraco. “Acho que dá para aumentar a nota ainda mais.”

Interesse. Outra tônica da mudança do SAT é aumentar a conexão com a vida real. Itens de Matemática vão apostar mais na resolução de problemas práticos e, em leitura, o aluno deverá interpretar textos de História e Ciências Sociais. O significado de palavras só será cobrado no contexto.

“Havia críticas de que o exame era muito acadêmico, com textos de literatura rebuscada”, diz José Olavo de Amorim, coordenador de Assuntos Internacionais do Bandeirantes, um dos centros de aplicação do teste na capital.

Além do SAT, as universidades americanas aceitam a nota do College American Testing (ACT). Em 2013, pela primeira vez, o ACT superou o SAT no número de participantes. O perfil ultrapassado do SAT, para especialistas, explica essa troca de papéis, o que motivou as mudanças no modelo do exame. Menos conhecido no Brasil, estrangeiros também podem se inscrever para o ACT.

Carreira. No Dante Alighieri, na região central, a chance da graduação em inglês também faz sucesso. As carreiras mais almejadas no exterior são as da área de negócios. “Em Direito e Medicina, por exemplo, eles sabem que terão dificuldades quando voltar”, diz Rossella Beer, responsável pelo high school da escola, que também oferece preparatório para o SAT. Por ano, mais de 300 alunos do Dante fazem o exame.

Um deles é Felipe Godoy, de 16 anos, do 3.º ano do ensino médio, que enfrenta o teste em maio. “Tem de se preparar bem. A prova é muito diferente do que temos no Brasil”, diz. A nota será usada para tentar vaga em algumas das melhores universidades do mundo, como Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Stanford. “O mundo está globalizado. Quanto mais cedo aproveitar oportunidades no exterior, melhor”, diz ele.

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