Todos por um

Todos por um

Colégio Vital Brazil

13 Setembro 2017 | 10h20

Figura preponderante nos primeiros anos de escola, a professora regente é a parte mais visível de um trabalho coletivo.

É preciso uma aldeia para educar uma criança, diz o provérbio. Para alunos da Educação Infantil e do Fundamental I, porém – mesmo para muitos pais –, às vezes é difícil enxergar a aldeia por trás da figura preponderante nos primeiros anos de vida escolar: a professora regente. Mas a aldeia está lá.

Ao conduzir uma aula, realizar uma atividade em classe, aplicar uma prova ou corrigir uma produção de texto, a professora regente não atua sozinha. Ela está, na verdade, na ponta de um trabalho coletivo, que garante a coesão dos conteúdos ensinados entre turmas distintas, a continuidade do processo de aprendizagem ao longo dos anos e o alinhamento de todos a uma mesma filosofia educacional. É assim no Vital Brazil, onde a professora regente é a parte mais visível de um grupo de profissionais de dentro e de fora do Colégio, engajados no planejamento, no acompanhamento e na revisão constante do trabalho pedagógico.


Um exemplo deixa claro como esse grupo se estrutura. Em um dia típico de aula, os alunos do 3º ano D recebem da professora Fernanda Fernandes, regente da turma, uma série de problemas de multiplicação. Em linhas gerais, Fernanda está seguindo a mesma sequência didática e exercícios adotados nas outras turmas de 3º ano, elaborados, neste caso, pela professora Flávia Cury, do 3º ano B, responsável pelos planos de aula de Matemática daquela série.

Flávia, por sua vez, não decidiu tudo sozinha. Primeiro, ela consultou as demais professoras do 3º ano para validarem ou sugerirem alterações nos planos. Depois, feitos os ajustes do grupo, Flávia ainda precisou encaminhá-los para a avaliação de Mariana Mathias, professora regente de uma turma do 4º ano e assessora de Matemática para as turmas de 2º a 5º ano do Fundamental. Como assessora especializada – ela está finalizando um mestrado em Educação Matemática –, Mariana não apenas avalia os planejamentos mensais de cada série como ajuda a verificar os resultados alcançados no dia a dia, analisando cadernos de alunos, assistindo a algumas aulas, identificando problemas e oportunidades no processo de aprendizagem.

Mas Mariana também não age só. Além de se reunir periodicamente com as coordenações e a direção para partilhar impressões sobre o andamento do projeto, Mariana conta com a ajuda de uma profissional do Grupo Mathema, instituição voltada para pesquisa e desenvolvimento de técnicas de ensino matemático. Há cinco anos o Vital recebe assessoria pedagógica do Mathema, que promove encontros de formação e oficinas práticas com todas as professoras regentes do Colégio – incluídas aí Mariana, Flávia e Fernanda, que, ao passar os exercícios para a sua turma do 3º ano D em um dia típico de aula, está respaldada por todo esse grande trabalho coletivo.

Alinhamento e coesão

São três as assessorias externas que dão suporte à atuação das professoras regentes. Além do Mathema, para Matemática, as equipes da Educação Infantil e do Fundamental I também recebem formação continuada da mestre em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) Maria José Nóbrega e, neste ano, o Fundamental I contou com a assessoria da empresa Experimenta, voltada para o ensino de Ciências.

Atuando como assessores internos, além de Mariana Mathias (Matemática), estão os professores Kalina Elis Pereira, pedagoga especializada em Língua Portuguesa (Língua Portuguesa); Fernando Ribeiro, licenciado em História e Geografia, especializado em Ensino de Geografia e mestre em Educação (História e Geografia); e Priscilla Issuani, bióloga (Ciências).

Segundo Priscilla, a contribuição dos assessores é importante por garantir uma maior coesão entre o trabalho das professoras regentes, responsáveis por quase todos os conteúdos curriculares de suas turmas, e os professores especialistas do 6º ano em diante. “Há um maior entendimento sobre como se dão as sequências pedagógicas ao longo do Ensino Fundamental; as assessorias promovem na equipe esse olhar especializado, oferecendo referencial teórico e estratégias de ensino”, diz a bióloga.

Fernando Ribeiro faz uma ressalva: “A ideia não é engessar o trabalho do professor, mas dar suporte teórico, os conceitos fundantes de cada disciplina”. Ele dá um exemplo: “Poderíamos pensar que, a princípio, bastaria o professor seguir o livro didático e pronto. Mas o livro é um meio, não um fim. Cada escola precisa adaptá-lo a seu público. Um livro de Geografia aborda a relação do aluno com seu espaço – sua casa, sua rua, seu bairro –, mas as vivências de um aluno do interior de Goiás e de um aluno do Vital são bem diferentes. O professor tem de dar conta disso com outros recursos e estratégias, e o assessor o ajuda”.

Além do mais, as assessorias garantem o alinhamento do projeto pedagógico – das expectativas de aprendizagem ao longo das séries aos critérios de avaliação adotados. “No fim do ano, reunimos as assessorias externas, todo o corpo docente e a Coordenação para revisitar e avaliar os objetivos traçados e os ajustes necessários para o prosseguimento do trabalho”, diz a coordenadora pedagógica Káthia Kobal.