A identidade no papel

A identidade no papel

Colégio Vital Brazil

28 Dezembro 2015 | 09h47

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, é papel da escola “ensinar a produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias”. Sendo assim, quando se trata de aulas de Arte, o ideal é que elas envolvam produção, reflexão e apreciação de obras artísticas.

“Além disso, também é importante que as atividades propostas não se restrinjam ao desenvolvimento de habilidades manuais com lápis, papel, cola e tesoura”, explica Sílvia Mendes, professora de Arte do Colégio Vital Brazil, em que o projeto pedagógico de Arte se baseia no conteúdo das outras disciplinas e segue a concepção de educação artística da educadora Ana Mae Barbosa, referência de arte-educação no País, de “abordagem triangular”: contextualizar, apreciar, fazer. Ou seja: os alunos são estimulados não só a “fazer Arte” como forma de expressão, mas também a apreciar (ler criticamente) e a contextualizar obras de arte (relacionar com outras áreas do conhecimento).

Sílvia conta que em História, por exemplo, os alunos do 2º ano do Ensino Fundamental estão trabalhando suas histórias pessoais, com a produção de linhas do tempo de cada um, desde quando eram bebês, e a história de suas famílias, com a produção de árvores genealógicas. Por isso, as aulas de Arte aproveitaram para trabalhar questões de identidade e de autoimagem por meio da elaboração de autorretratos.

“O projeto tem um significado bastante pessoal para cada aluno e é interessante porque demanda das crianças a capacidade de pensarem sobre si mesmas e de se descobrirem indivíduos com personalidades únicas e distintas. A produção dos autorretratos começa com uma exploração gráfica e estética do rosto humano e termina com um importante exercício de autoconhecimento”, afirma Sílvia Mendes.

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O trabalho se constrói em quatro fases:

1ª fase: Retrato do amigo

Organizados em duplas, alunos desenham colegas, e vice-versa.

2ª fase: Autorretrato diante do espelho

Individualmente, cada aluno reproduz o próprio rosto no papel, com canetas e lápis de cor.

Nas duas primeiras fases, a ideia é consolidar noções de proporção, formato e cor. Os alunos percebem que há diferentes formatos de rosto – quadrados, circulares, triangulares e ovais – e diferentes cores de pele.

3ª fase: Autorretratos com palavras

Inspirados na obra do artista paulistano Alex Flemming, os alunos completam “molduras de rosto” com palavras e frases que os definam, compondo um autorretrato pictórico-verbal. Aqui começa o exercício de autoconhecimento. A maioria dos alunos começa identificando apenas objetos concretos de que gostam, como bola, cachorro, boneca, mas já há aqueles que se definem por características de personalidade: falante, alegre, engraçado.

4ª fase: Autorretratos com colagens

A inspiração vem da obra da mexicana Frida Kahlo, cujos célebres autorretratos exploravam diferentes episódios de sua vida e facetas de sua personalidade. Em vez de palavras, os alunos adornam seus autorretratos com colagens de figuras significativas, recortadas de papéis texturizados. Essa fase dá continuidade ao trabalho reflexivo e amplia o repertório de conhecimentos e habilidades artísticas dos alunos.

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“Antes das atividades, é preciso um primeiro contato com a biografia e as obras de Flemming ou de Frida Kahlo, por exemplo, para dar mais significado ao trabalho. É claro que essa contextualização deve respeitar a faixa etária dos alunos”, diz Sílvia, afirmando que as passagens mais “pesadas” da vida da artista mexicana são, compreensivelmente, deixadas de fora da aula. “E neste ano tivemos sorte: há uma aluna mexicana no 2º ano, que falou um pouco sobre a artista para os colegas. Isso aumentou bastante o interesse da classe”.